RUI COSTA E A SUCESSÃO DE ILHÉUS

O ex-prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, secretário estadual do PP, tem razão de sobra para ficar aborrecido com o governador Rui Costa (PT).

Entrevistado pelo blog do Gusmão, Jabes disse que o chefe do Palácio de Ondina não agiu com a isenção necessária na sucessão de Ilhéus, que foi tendencioso, obviamente se referindo a explícita torcida do governador pela reeleição do atual alcaide Mário Alexandre, mais conhecido como Marão.

Além de ter dito pessoalmente a Rui Costa que não gostou do seu posicionamento no processo sucessório, Jabes pretende levar o assunto ao conselho político, que é composto pelos partidos que integram a base aliada. Vai questionar a falta de imparcialidade do governador, sua posição tendenciosa diante do pleito municipal. “Não achei correta a forma como ele agiu aqui em Ilhéus”, desabafou o ex-alcaide.

A estratégia de colocar Everaldo Anunciação como vice de Cacá Colchões, para provocar a insenção do governador, não deu certo. Everaldo, que já foi vereador em Itabuna, é um petista histórico, ex-presidente estadual do PT. O tiro saiu pela culatra.

Muitas lideranças da base aliada são da opinião de que o governador não podia mostrar preferência por um candidato da base em detrimento de outro, sob pena de criar sequelas para a eleição de 2022, quando a disputa pelo seu cargo será acirrada, com ACM Neto (DEM) sendo o principal adversário da oposição.

O que chamou atenção foi o recado de Jabes direcionado para o pleito de 2022, quando teremos eleição para o governo da Bahia. “Nós vamos ter em 2022 um novo desafio. Acho que atitudes como essa não pode acontecer, porque prejudica o equilíbrio da nossa aliança, tão importante para as vitórias do passado e para o futuro”, alfinetou o ex-gestor.

Jabes, que é um político que não faz arrodeios quando quer dizer o que tem vontade, deixou nas entrelinhas que o PP não pode ser tratado com indiferença pelo governador. Fez questão de lembrar que 2022 é ano de eleição.

A entrevista de Jabes no blog do Gusmão chegou ao conhecimento do governador Rui Costa. Quem também não ficou satisfeito com o “presidenciável” do PT foi o vice-governador João Leão, dirigente-mor do PP estadual.

É por essas e outras que a notícia de que Rui Costa pode deixar o PT continua cada vez mais viva. Vale lembrar que o relacionamento político entre Rui e o ex-presidente Lula não é mais o mesmo de priscas eras.

PS – Em Itabuna, a frieza e a indiferença do governador Rui Costa com o candidato do PT, Geraldo Simões, causou revolta na militância. Rui sequer citou o nome do “companheiro” durante a campanha. Sentindo que o segundo mandato consecutivo de Fernando Gomes (PTC) caminhava a passos largos para um fracasso, que a virgindade do tabu da reeleição não seria quebrada, Rui permitiu que o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas, desse uma declaração de apoio à candidatura de Augusto Castro (PSD). Como Marão é da mesma legenda, as especulações de que existe um acordo entre Rui Costa e o senador Otto Alencar, visando o pleito de 2022, ficaram mais robustas, menos enigmáticas e mais transparentes.

EDITORIAL DO WENSE

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