Prefeito de Itabuna diz que casamento de irmã de Pugliesi levou vírus para sul da Bahia

Foto: Raul Spinasse

Cidade polo do Sul da Bahia, Itabuna tem 249 casos confirmados de coronavírus e dez mortes em decorrência da doença. Para enfrentar o crescimento do número de pessoas infectadas, a prefeitura local implementou diversas ações, como a instalação de lavatórios em praça pública, a doação de máscaras para a população e a compra de testes.

O prefeito Fernando Gomes destaca também a ampliação do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, a instalação de disque denúncia para quem não obedece o isolamento social e a implantação de um centro de triagem no município.

Gomes acredita que o casamento da irmã da influencer Gabriela Pugliesi, Marcella Minelli, na vizinha Itacaré, foi um ponto de disseminação do coronavírus em todo o sul do estado. Após a festa, diversos convidados testaram positivo para a doença.

Sobre o retorno do funcionamento do comércio em Itabuna, o prefeito destacou que a equipe técnica do município está desenvolvendo estudos para viabilizar a reabertura gradativa das lojas assim que o cenário for seguro para a população.

Gomes é o quarto prefeito que fala na série de entrevistas com gestores dos maiores municípios do interior baiano realizada pelo site Alô Alô Bahia em parceria com o CORREIO. O objetivo é informar a sociedade sobre as ações tomadas para enfrentar o avanço da covid-19.

O governo tem se mostrado preocupado com o avanço do coronavírus no Sul da Bahia. O que tem sido feito para impedir este avanço?

Nos últimos dias nós intensificamos as ações de conscientização, reforçando para a comunidade a importância de ficar em casa. Decretamos a obrigatoriedade do uso de máscaras e estamos realizando a desinfecção de toda a cidade. Ainda colocamos lavatórios em praças públicas, em parceria com uma empresa. Também com a ajuda de algumas empresas estamos doando máscaras à população. Já determinei a compra de testes para realizarmos uma testagem em massa, além de estarmos ampliando a capacidade de atendimento em nosso Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães. A Prefeitura de Itabuna deu início à testagem para detecção de covid-19 nos profissionais de segurança e trânsito. No total, 1.512 profissionais serão submetidos aos testes.

Por que a doença tem avançado a no sul da Bahia? A situação em Itabuna está controlada?

Porque Itabuna e Ilhéus são duas cidades polo. Pessoas de todas as partes do sul, extremo sul e até sudoeste da Bahia chegam aqui para estudar, trabalhar, comprar. Infelizmente ainda tivemos um foco grande aqui na região, que foi o casamento que aconteceu em Itacaré, de onde surgiram os primeiros casos. Por isso, apesar de todo o esforço, a nossa situação ainda é preocupante. É preciso que a população respeite as orientações.

Quantos leitos a cidade tem só para pacientes com covid-19? E respiradores? O número é suficiente?

O estado contratou 10 leitos de UTI para adultos, 3 leitos de UTI pediátrica, além de 30 leitos clínicos para adultos e 10 pediátricos, todos na Santa Casa de Misericórdia. Já no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, nós temos 38 leitos clínicos exclusivos e estamos entregando nos próximos dias mais 15 leitos de UTI, com toda a aparelhagem necessária, incluindo os respiradores. Nossa intenção é chegar em 30 leitos de UTI e nós esperamos que isso atenda a nossa demanda. Infelizmente é um vírus muito agressivo, principalmente com os idosos, e não é possível projetar quantos leitos serão o suficiente. Esperamos que nossas ações salvem vidas em nosso município.

Como está a adesão da população às medidas de isolamento na cidade?

Infelizmente muitos ainda não levam à sério os riscos. Nós temos um disque denúncia, estamos com a Guarda Civil Municipal diariamente na rua, orientando que as pessoas voltem às suas casas. Estamos monitorando e também atentos aos bairros para coibir aglomerações.

Os governos do estado e federal estão dando suporte ao município?

Depois que apresentamos nosso Plano de Ação, o Ministério da Saúde destinou R$ 8,9 milhões para o nosso município. O Estado também tem nos ajudado, já destinou testes, contratou leitos na Santa Casa e ajuda na instalação dos leitos no Hospital de Base.

O setor empresarial de todo o estado tem mostrado preocupação por conta das medidas restritivas, que já estão provocando prejuízos para o setor. Como está o diálogo com o empresariado? Há previsão para flexibilizar as medidas e permitir a abertura do comércio?

Aqui em Itabuna nós estamos conversando com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e entidades representativas do comércio. Num primeiro momento, chegamos a avaliar a flexibilização da reabertura do comércio, mas o Ministério Público da Bahia nos enviou uma recomendação para que permanecesse fechado e nós acatamos. Agora, com essa crescente nos números de casos confirmados, nós iremos manter essa medida. Mas já determinei que a equipe técnica do município faça estudos para, assim que for seguro para a população, podermos viabilizar essa reabertura gradativa do comércio. Nossa preocupação, em primeiro lugar, é com a saúde do povo de Itabuna.

Informações do Correio

 

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