Monitor da Violência: Bahia é 3º estado com maior nº de pessoas mortas pela polícia no 1º semestre

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A Bahia é o 3º estado do país com a maior quantidade de pessoas mortas pela polícia e o 4º com maior número de policiais assassinados, no primeiro semestre deste ano. Os dados, divulgados nesta última segunda-feira (14), são do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Monitor aponta que, de janeiro a junho de 2019, 350 pessoas foram assassinadas por policiais na Bahia. Neste ranking, o estado fica atrás apenas do Rio de Janeiro, com 885 mortes, e de São Paulo, com 426 vítimas. Em um cálculo de taxa para cada 100 mil habitantes do estado, a Bahia fica em 5º lugar, com 2,4 mortes.

O estado é precedido por Amapá (7,7); Rio de Janeiro (5,1); Pará (3,7) e Sergipe (2,6). Apesar disso, se comparado ao mesmo período de 2018, a Bahia teve uma redução de 15% nas mortes causadas por policiais. Com relação ao número de policiais mortos, a Bahia também fica entre os maiores números de letalidade: 6.

O estado fica atrás do Pará (35); Rio de Janeiro (19) e São Paulo (16). Com relação aos números registrados no mesmo período do ano passado, a Bahia registrou queda de 40%. Em dados gerais, o Monitor da Violência aponta que, por todo o país, o número de vítimas em confronto com a polícia cresceu 4,3% nos seis primeiros meses do ano.

Essa alta vai na contramão do índice de mortes violentas no Brasil, que teve uma queda de 22% no 1º semestre. O G1 questionou à Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) se estão sendo tomadas medidas para diminuir a letalidade da polícia e reduzir o número de policiais mortos no estado, bem como o posicionamento da secretaria em relação ao levantamento.

Por meio de nota, a SSP respondeu apenas que “a polícia sempre responderá proporcionalmente e dentro da lei às ações de criminosos”. A secretaria disse ainda que em casos com ausência de confronto, os policiais envolvidos são indiciados criminalmente por homicídio, além de responderem internamente a processos administrativos.

Relembre alguns casos

Em janeiro deste ano, uma bebê de seis meses morreu após ser atingida por uma bomba de gás lançada por policiais militares em Salvador, no bairro de São Marcos. A pequena Ágatha Sophia estava no colo da mãe, quando foi atingida por estilhaços do artefato na cabeça, quando a família se divertia em uma festa de aniversário.

Em março, um garoto de 11 anos foi baleado na porta de casa durante uma ação policial na cidade de Camaçari, região metropolitana. Os policiais militares envolvidos na ação foram presos. Também em março, um homem foi morto em ação da PM no bairro de Itapuã.

No mês de abril, um delegado da Polícia Civil foi assassinado por PMs na cidade de Itabuna, sul da Bahia. O sindicato da categoria disse que José Carlos Mastique de Castro Filho foi baleado no peito ao tentar entregar a arma dele para os militares, durante uma abordagem.

Já no começo do mês de maio, um adolescente de 15 anos foi baleado e morreu após confronto entre policiais e suspeitos no bairro de Santa Cruz, na capital. No mesmo mês, três policiais morreram – dois PMs e um policial civil – após serem baleados.

O primeiro deles foi o civil, assassinado a tiros durante uma tentativa de assalto a ônibus na BR-324, trecho de Salvador. Vinte dias depois desse caso, um PM morreu depois de ser baleado dentro de um hotel, também na capital. Câmeras de segurança do estabelecimento registraram a ação.

Três dias depois do crime no hotel, um PM da reserva também foi assassinado dentro de um ônibus de Salvador. A motivação do assassinato nunca foi divulgada. Em junho, outro PM foi encontrado morto no rodoanel viário de Euclides da Cunha.

Informações do G1

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