Craque das tesouradas: conheça o baiano que é cabeleireiro oficial de Neymar

A Califórnia não deve ter mais do que 15 mil habitantes. Mas esqueça o estado norte-americano, famoso pelas praias e pelas estrelas de cinema. Estamos falando de uma Califórnia bem mais próxima: o bairro que fica na zona Norte de Itabuna. Mesmo bem menor do que a homônima, a versão baiana tem moradores tão icônicos que serviu de inspiração para os cabelos do principal jogador da Seleção Brasileira de futebol.

Por enquanto, ainda é um mistério. Quando Neymar entrar em campo com os colegas, a partir das 15h desta quarta-feira (27), ninguém sabe se ele vai ter mudado as madeixas, como fez nas últimas duas partidas, ou se vai manter o último look. Uma coisa dá para ter certeza: o cabeleireiro Wagner Tenório estará envolvido.

Baiano de Itabuna, mas radicado em Barcelona, na Espanha, há pelo menos uma década, Wagner é o hairstylist pessoal do craque nascido em Mogi das Cruzes (SP).

Foi ele quem assinou a cor e o tratamento do cabelo usado pelo camisa 10 no dia da estreia do Brasil com a Suíça – o corte, por sua vez, ficou a cargo do também cabeleireiro Nariko, amigo de infância de Neymar. Ou seja, aquele cabelo que foi alvo de tantos elogios, críticas e, como não poderia faltar em pleno 2018, de memes.

Teve comparação com calopsita, com cachorrinho pug, com Dercy Gonçalves e até com o próprio Canarinho (o mascote da Seleção que a internet batizou de ‘Pistola’, pela cara emburrada).

E foi na Califórnia – onde nasceu e se criou – que Wagner começou a carreira e desenvolveu o ‘estilo diferente’ pelo qual ficou conhecido.

“Ele fazia muito cabelo de homem e faz uns cortes diferentes. O povo da Califórnia tinha isso de querer experimentar cortes diferentes e era bem o tipo dele mesmo”, lembra a professora Dilza Batista, que ensina no Colégio Ciso, onde Wagner estudou ainda menino.

Muito antes de Neymar brilhar nos gramados, dona Dilza já era uma das clientes de Wagner, que completa 40 anos também nesta quarta-feira. Ela conta que já experimentou ‘tudo que você imaginar’ entre os serviços do profissional. Escova, corte, hidratação… “Era um menino muito trabalhador, que tinha aptidão para ser cabeleireiro. Ele investiu no trabalho dele e, graças a Deus, cresceu”.

E cresceu mesmo. Vizinha de Wagner, a aposentada Nilza Medrado, 65, o viu nascer. Por isso, também presenciou quando ele montou o primeiro salão, ainda na casa onde morava com os pais, na Califórnia. Era tão novo quando começou que ela nem tem certeza de quando ele passou a ir em sua casa cortar o cabelo de seu filho.

“Ele tinha uns 12 anos, por aí. Começou fazendo cabelo de homem, mas depois também começou os cortes femininos. Fez o meu, de minha filha”, conta.

O mais bonito em Wagner, ela diz, é que não tem estrelismo. Não esquece ninguém, muito menos a Califórnia. Costuma mandar mensagens e está sempre em contato pelas redes sociais.

“Ele curte tudo da minha família. É uma pessoa que tem um dom de Deus, viu? E depois que foi para a Espanha, a carreira dele deslanchou”, conta Dilza.

Viagens pagas
Assim como o outro cabeleireiro de Neymar, Wagner foi para a Rússia e está à disposição do jogador. Com eles, é assim: a parceria, que já dura três anos, que deu tão certo que, mesmo depois de sair da Espanha, se mudar para a França e passar a defender o Paris Saint-Germain (PSG), Neymar não quis saber de mais ninguém. O jogador chega a bancar as viagens do profissional até a capital francesa para ser atendido em casa, com exclusividade – exatamente como tem feito na Rússia.

Os dois foram apresentados por outro baiano: o lateral-direito Daniel Alves, cortado dos 23 um mês antes da Copa devido a uma lesão. No Instagram de Tenório, há fotos com o jogador juazeirense ainda em 2014, no que parece ter sido o início da conta do hairstylist.

“Quando Neymar chegou a mim o cabelo dele estava muito estragado. Tinha feito muita escova progressiva e alisamento antes, o que detonou muito os fios. Isso sem falar na descoloração. Tive que diminuir o comprimento do cabelo antes de começar o tratamento”, contou Tenório ao UOL Esporte, em janeiro. Procurado pelo CORREIO, o hairstylist não respondeu aos pedidos de entrevista.

Baianos na Copa
Os baianos podem até não entrar em campo com a Seleção, mas alguns conterrâneos estão dando o que falar neste Mundial. Além de Wagner Tenório, o CORREIO contou a história do estudante de Medicina feirense Geisiel Cruz, 28 anos, que mora na Rússia há seis anos e se tornou o tradutor oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Informações do Correio

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