
O grupo hoteleiro Vila Galé cancelou o projeto de construir um resort turístico numa área reclamada por uma tribo indígena brasileira no sul do estado da Bahia.
O Vila Galé garante que o projecto nasceu em Abril de 2017 fruto de um convite do Governo da Bahia e da Prefeitura de Una para a realização deste investimento, que teria como objectivo “ajudar ao desenvolvimento da região”. Todos os estudos feitos ao projecto foram aprovados, garante o grupo.
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“Ao longo de todo esse tempo não surgiu qualquer reclamação ou reivindicação”, prossegue a nota. “No local e num raio de muitos quilômetros, não havia nem há qualquer tipo de ocupação/utilização, nem sinais de qualquer atividade extrativista por parte de quem quer que seja. Não existe qualquer reserva indígena decretada para esta área, nem previsão de a vir a ser. Passaram três mandatos governamentais anteriores, com vários ministros da Justiça e nenhum deles aprovou a demarcação das terras indígenas.”
“Certamente porque não encontraram fundamento legal para o efeito de decretar uma gigantesca área de reserva de 47 mil hectares”, justifica o grupo. Reconhecendo tratar-se de “um tema delicado que suscita estados emocionais”, o revela abandonará o projecto, por não quererem que um dos seus hotéis nasça “com a iminência de um ‘clima de guerra’, que classificam como “injusto” e “sem fundamento”.
A intenção do grupo hoteleiro português foi originalmente revelada pelo site de jornalismo de investigação The Intercept no final de Outubro. O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur, dependente do Ministério do Turismo) comunicou à Fundação Nacional do Índio (Funai) — órgão responsável pela protecção dos direitos indígenas no país sul-americano — que a rede hoteleira solicitava o encerramento do processo de demarcação de terras indígenas localizadas especialmente nos municípios de Una e Ilhéus, estado da Bahia.
O governo da Bahia e a Prefeitura Municipal de Una assinaram com o Grupo Vila Galé um protocolo de intenções com um investimento superior a 200 milhões de reais (cerca de 45 milhões de euros), que geraria, de acordo com o Embratur, mais de 500 postos de trabalho directos e 1500 indirectos.
Após ter sido tornado pública a intenção de construção, o grupo Vila Galé afirmou ao PÚBLICO, por escrito, que no terreno de 20 hectares em que pretendia construir o seu empreendimento “não existem indígenas (…) nem quaisquer vestígios dos mesmos”, sublinhando que o processo de demarcação de terra indígena “não está concluído”.
“Não está aprovado pelo Ministério da Justiça que tutela a Funai e muito menos pelo Presidente da República, o que é essencial. Existe uma contestação desta pretensão por parte dos proprietários que fundamentam a total inconsistência do processo. Só após aprovação formal do Presidente da República é que se poderá falar em terreno indígena”, disse, então, o Vila Galé, afirmando ainda que o grupo é reconhecido “pelos seus investimentos em integral respeito pelas normas ambientais e urbanísticas e de uma forma socialmente responsável”.
A área em causa, que corresponde a 470 quilómetros quadrados, é reclamada pelo povo Tupinambá de Olivença, que luta pela demarcação oficial daquelas terras há pelo menos 15 anos, e cuja primeira fase do processo foi concluída em 2009.
Informações do Jornal Público de Portugal

Franklin Deluzio é graduado em Filosofia (UESC), possui graduação incompleta em Física pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), como também graduação incompleta em Licenciatura Interdisciplinar pela (UFSB), é Especialista em Gestão Pública Municipal (UESC), Conselheiro de Saúde, Fiscal do Sistema E-TCM, Design Digital Júnior, Design Editorial Júnior, Servidor Municipal de Ilhéus/BA e estrategista em Geomarketing Eleitoral. DRT n. 0007376/BA.
Áreas de interesse: Ufologia, Gestão e Desenvolvimento Urbano, Políticas Públicas, Plano Diretor, Administração de Recursos, Gestão Logística, Filosofia da Educação, Existencialismo, Ética e Discurso, Filosofia da Ciência, Meteorologia, Poder, Verdade e Sociedade em Foucault, Filosofia Jurídica e autores como Heidegger, Bauman, Habermas, Foucault, Derrida, Deleuze, Sofistas, Nietzsche, Sartre, Hannah Arendt, Freud, Carlos Roberto Gonçalves e Giovanni Reale.