
Integrante da Banda Capricho e representante regional do Sindimúsicos destaca que valorizar quem faz cultura em Ilhéus deve ser uma política permanente
A música de Ilhéus voltou a ocupar o centro de uma discussão importante na cidade: qual espaço os artistas locais devem ocupar nas festas, eventos e políticas culturais do município?
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A questão esteve presente na noite da última sexta-feira (14), durante cerimônia realizada na Câmara Municipal de Ilhéus para a entrega de carteiras profissionais a músicos da cidade e da região pelo Sindicato dos Músicos Profissionais da Bahia (Sindimúsicos/BA).
Entre os participantes estava Lindomar Souza do Nascimento, o Ratinho Menezes, integrante da tradicional Banda Capricho e representante do Sindimúsicos na região sul da Bahia. Conhecido também por sua atuação social e comunitária, Ratinho preside a ONG Mais Você LGBTQIA+, além de desenvolver atividades ligadas à defesa de direitos e à política local.
“Artista local precisa estar no palco da própria cidade”
O Ilhéus Net conversou com Ratinho Menezes após o encontro e, com sua autorização, registra aqui a posição que ele defende em nome dos profissionais da música.

Para Ratinho, a valorização do artista local precisa deixar de ser apenas um discurso presente em solenidades e passar a fazer parte efetivamente da política cultural do município.
A defesa é direta: Ilhéus precisa garantir aos seus próprios músicos participação nos grandes eventos realizados pela cidade.
Na visão do músico, quando o município promove festas, festivais e grandes celebrações, deve olhar primeiro para a própria produção cultural. Isso não significa fechar espaço para artistas de outras cidades ou estados, mas garantir que os profissionais locais não sejam esquecidos justamente nos eventos realizados em sua própria terra.
A reivindicação ganha ainda mais força porque envolve profissionais que vivem da música e dependem das oportunidades de trabalho para sustentar suas famílias.
Para Ratinho, contratar artistas de Ilhéus é também investir na economia da própria cidade. O recurso destinado a uma banda ou músico local permanece, em grande parte, no município e movimenta uma cadeia que inclui músicos, técnicos, produtores, profissionais de áudio, iluminação, transporte e outros trabalhadores.
Uma carteira, uma profissão e uma luta
A entrega das carteiras profissionais foi um dos momentos centrais da solenidade. Para o Sindimúsicos, a iniciativa contribui para ampliar a organização e a representação dos trabalhadores da música.
O presidente da entidade, Sidney Zapatta, participou do encontro e apresentou projetos e perspectivas voltados à valorização profissional e ao fortalecimento da categoria.
A cerimônia foi conduzida pela vereadora Rúbia Carvalho, representando o presidente da Câmara Municipal, César Porto, e contou com a presença da secretária municipal de Cultura, Anarleide Menezes, representando o prefeito Valderico Júnior.
Também participaram os vereadores Neto de Saúde e Nascimento Jr.; o advogado e músico Dr. Edvaldo Alencar, integrante do jurídico do sindicato; os músicos Benner Show e Miraldo; e o apresentador Robertinho Scarpita, do jornalístico Tropa de Elite, da Gabriela FM, representando a imprensa.
A cultura como política pública
O encontro também trouxe à tona uma questão que vai além da categoria musical: o papel do poder público na construção de uma política cultural permanente para Ilhéus.
A cidade possui uma produção artística diversificada, com músicos, bandas, compositores e intérpretes que fazem parte da história cultural local. Para Ratinho, esse patrimônio não pode ser lembrado somente quando há uma festa.
A expectativa defendida pelo músico é que o município avance na criação de mecanismos que garantam oportunidades de trabalho, participação nos eventos públicos, incentivo à produção local e maior diálogo com os profissionais da cultura.
Não se trata de pedir favor. Trata-se de reconhecer uma profissão e valorizar quem ajuda a construir a identidade cultural de Ilhéus.
Esse é o ponto central da defesa de Ratinho Menezes e de muitos profissionais da música: que os artistas locais sejam vistos não como atrações secundárias, mas como protagonistas da cultura que a própria cidade produz.
A cerimônia teve ainda cobertura da Band Bahia, com reportagem do jornalista Anderson Silva.
O encontro terminou com uma pauta que permanece aberta: se Ilhéus quer fortalecer sua cultura, precisa também fortalecer quem vive dela. E isso começa dando aos seus próprios artistas espaço, reconhecimento e oportunidade

Franklin Deluzio é graduado em Filosofia (UESC), possui graduação incompleta em Física pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), como também graduação incompleta em Licenciatura Interdisciplinar pela (UFSB), é Especialista em Gestão Pública Municipal (UESC), Conselheiro de Saúde, Fiscal do Sistema E-TCM, Design Digital Júnior, Design Editorial Júnior, Servidor Municipal de Ilhéus/BA e estrategista em Geomarketing Eleitoral. DRT n. 0007376/BA.
Áreas de interesse: Ufologia, Gestão e Desenvolvimento Urbano, Políticas Públicas, Plano Diretor, Administração de Recursos, Gestão Logística, Filosofia da Educação, Existencialismo, Ética e Discurso, Filosofia da Ciência, Meteorologia, Poder, Verdade e Sociedade em Foucault, Filosofia Jurídica e autores como Heidegger, Bauman, Habermas, Foucault, Derrida, Deleuze, Sofistas, Nietzsche, Sartre, Hannah Arendt, Freud, Carlos Roberto Gonçalves e Giovanni Reale.