
Cinco décadas após ingressar na vida pública, o ex-prefeito de Ilhéus revisita sua trajetória, esclarece o papel do Progressistas na gestão Valderico Júnior e defende o diálogo, a política de coalizão e o planejamento como fundamentos para o desenvolvimento do município.
Há entrevistas que respondem perguntas. Outras acabam registrando um momento político. A conversa do ex-prefeito de Ilhéus e secretário-geral do Progressistas na Bahia, Jabes Sousa Ribeiro, com os jornalistas Adilson Neves e Rildo Mota, no programa Falando Direito, da Rádio Baiana, pertence à segunda categoria. Ao longo da entrevista, o político que completa cinquenta anos de vida pública falou sobre governabilidade, alianças, cultura, planejamento, desenvolvimento regional e eleições. Mais do que comentar o cenário político, apresentou uma visão de governo baseada na convivência entre diferentes correntes políticas, no respeito institucional e na construção de consensos.
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As especulações surgidas nos últimos meses sobre um suposto enfraquecimento da relação entre o Progressistas e a administração do prefeito Valderico Júnior ocuparam parte da entrevista, mas estiveram longe de dominar a conversa. Jabes preferiu contextualizar o funcionamento de governos de coalizão, lembrando que diferenças nas eleições proporcionais jamais significaram, em sua experiência política, ruptura entre aliados.
“A gente fez uma aliança para apoiar o governo. Nós ajudamos a eleger o prefeito e passamos a participar da gestão. Isso sempre esteve muito claro”, afirmou.
Segundo ele, o compromisso firmado durante a eleição municipal permanece preservado e se materializa na participação do Progressistas em áreas estratégicas da administração. O partido ocupa atualmente três secretarias municipais — Infraestrutura e Serviços Urbanos, Cultura e Promoção Social — comandadas, respectivamente, por Cacá Colchões, Marleide e Sayonara Machado, nomes que, segundo o ex-prefeito, representam a confiança construída entre as duas forças políticas.
Ao ser questionado se participa das decisões do governo, respondeu com uma frase que sintetiza sua postura diante da administração municipal.
“Eu me sinto representado pelos nossos secretários.”
Sem reivindicar protagonismo, deixou claro que acompanha o cotidiano da gestão por intermédio de seus auxiliares e do diálogo permanente mantido com vereadores, lideranças comunitárias e integrantes do partido.
Coalizão exige maturidade política
Um dos pontos centrais da entrevista foi a tentativa de explicar que alianças eleitorais não anulam a autonomia partidária nas disputas proporcionais. Para Jabes, é natural que legendas integrantes de um mesmo governo apoiem candidatos diferentes para deputado estadual e federal, desde que preservem o compromisso firmado em torno da administração municipal.
Ao recordar suas próprias gestões, citou experiências em que partidos aliados seguiram caminhos distintos durante campanhas legislativas sem que isso comprometesse a estabilidade do governo.
O Progressistas, explicou, definiu apoio às candidaturas de Cacá Leão para deputado federal e Igor Domingues para deputado estadual, escolhas fundamentadas, segundo ele, tanto pela relação política construída ao longo dos anos quanto pela capacidade de ambos ampliarem a interlocução institucional de Ilhéus junto aos governos estadual e federal.
A divergência de apoios dentro da base, afirmou, não representa conflito.
“Terminadas as eleições, vamos sentar, conversar e discutir política. É assim que funciona.”
Ao longo da entrevista, repetiu diversas vezes que não pretende alimentar disputas internas nem transformar diferenças eleitorais em crise política.
“Eu não quero briga e nem alimento isso.”
A mensagem foi acompanhada por outra reflexão que atravessou praticamente toda a conversa.
“Se der certo, é bom para Ilhéus. Se der errado, é ruim para todos.”
Mais do que uma defesa da administração, a frase resume a compreensão de Jabes sobre governos de coalizão: quem participa de uma gestão compartilha também a responsabilidade por seus resultados.
Experiência colocada a serviço da cidade
Em diversos momentos, os entrevistadores lembraram que Jabes liderava pesquisas antes de retirar sua candidatura para apoiar Valderico Júnior e destacaram sua trajetória de dezoito anos à frente da Prefeitura de Ilhéus.
O ex-prefeito, entretanto, evitou transformar o passado em argumento político. Preferiu falar do presente e dos desafios futuros, demonstrando preocupação com projetos estruturantes capazes de modificar a realidade econômica do município.
Entre eles, voltou a defender a implantação de um Hospital da Mulher, a consolidação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), do Porto Sul e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), iniciativas que considera decisivas para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Ao comentar a administração municipal, afirmou perceber cobranças naturais da população, mas observou que ainda existe expectativa em relação aos resultados do governo.
“Quando você apoia um governo, assume também responsabilidades.”
Disse torcer para que as respostas cheguem antes que a expectativa popular se transforme em frustração.
Cultura como identidade de uma cidade
Se houve um momento em que a entrevista deixou a política eleitoral em segundo plano, foi quando Jabes falou sobre patrimônio histórico e cultura.
Ao recordar investimentos realizados durante suas administrações, lamentou a degradação de alguns equipamentos públicos, mas demonstrou confiança nos projetos atualmente discutidos para sua recuperação.
Foi nesse contexto que sintetizou uma concepção construída ao longo de sua trajetória administrativa.
“Quem cuida da cultura cuida da história, cuida do pertencimento, cuida da alma da cidade.”
A declaração ajuda a compreender por que a área cultural ocupou lugar de destaque em seus governos e continua presente em sua visão sobre o futuro de Ilhéus.
Política sem ódio
Ao abordar o cenário estadual, Jabes reafirmou o apoio do Progressistas baiano à candidatura de ACM Neto ao Governo do Estado e às candidaturas proporcionais homologadas pela legenda.
Ao mesmo tempo, fez questão de distinguir divergências políticas de relações pessoais.
“Não faço política com ódio.”
Lembrou sua convivência institucional com lideranças como Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner, afirmando manter respeito por todos, apesar das diferenças políticas que levaram o partido a romper com o governo estadual.
Na eleição presidencial, explicou que a direção nacional do Progressistas optou por não apoiar oficialmente nenhum candidato, deixando estados, municípios e filiados livres para fazerem suas escolhas.
Questionado sobre seu voto pessoal, preferiu manter a tradição democrática.
“O voto é secreto.”
Reconheceu possuir uma inclinação política de centro-esquerda, mas fez questão de ressaltar que essa posição não representa orientação partidária para os integrantes do Progressistas em Ilhéus.
Cinquenta anos depois
Ao final da entrevista, Jabes Ribeiro voltou os olhos para a própria trajetória.
Recordou sua primeira candidatura, em 1976, ainda pelo antigo MDB, durante o período do regime militar, e afirmou continuar movido pela mesma convicção que o levou à vida pública.
“A política foi a forma que encontrei de servir.”
A declaração encerra uma conversa que, embora tenha começado tratando de eleições e alianças, terminou refletindo sobre permanência, compromisso público e futuro.
Aos 76 anos, Jabes falou menos sobre candidaturas do que sobre projetos. Menos sobre disputas do que sobre construção institucional. E, talvez sem perceber, deixou registrada uma mensagem que ultrapassa o calendário eleitoral: cidades não se desenvolvem apenas pela alternância de governos, mas pela capacidade de suas lideranças preservarem o diálogo, respeitarem as diferenças e manterem vivo um projeto coletivo de futuro.
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OLHAR PÚBLICO
“Onde a informação encontra a reflexão.”
Thiago Viana Borges
Gestor Público (Aposentado) •
Professor de Letras Vernáculas e Inglês • Editor • Redator • Consultor Político.
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Franklin Deluzio é graduado em Filosofia (UESC), possui graduação incompleta em Física pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), como também graduação incompleta em Licenciatura Interdisciplinar pela (UFSB), é Especialista em Gestão Pública Municipal (UESC), Conselheiro de Saúde, Fiscal do Sistema E-TCM, Design Digital Júnior, Design Editorial Júnior, Servidor Municipal de Ilhéus/BA e estrategista em Geomarketing Eleitoral. DRT n. 0007376/BA.
Áreas de interesse: Ufologia, Gestão e Desenvolvimento Urbano, Políticas Públicas, Plano Diretor, Administração de Recursos, Gestão Logística, Filosofia da Educação, Existencialismo, Ética e Discurso, Filosofia da Ciência, Meteorologia, Poder, Verdade e Sociedade em Foucault, Filosofia Jurídica e autores como Heidegger, Bauman, Habermas, Foucault, Derrida, Deleuze, Sofistas, Nietzsche, Sartre, Hannah Arendt, Freud, Carlos Roberto Gonçalves e Giovanni Reale.