
Estudo de mestrado, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Biossistemas no Campus Jorge Amado, está investigando os impactos ecotoxicológicos do petróleo em caranguejos de água doce do gênero Trichodactylus. Esses crustáceos, que atuam como sentinelas da qualidade ambiental, estão sendo submetidos a testes rigorosos para identificar como a poluição por hidrocarbonetos pode alterar seu comportamento e causar danos genéticos permanentes. O projeto, que busca estabelecer parâmetros para a conservação das bacias hidrográficas locais, revela preocupações fundamentais para a preservação da biodiversidade aquática que sustenta a vida em nossos municípios.
Sobre o pesquisador
O pesquisador é Josué Alves Matos das Virgens, mestrando do Programa de Pós-graduação em Biossistemas (PPG Biossistemas) da UFSB, no Campus Jorge Amado, localizado na rodovia entre Itabuna e Ilhéus, dentro do território da CEPLAC. Com uma sólida formação acadêmica, Josué também é graduando em Engenharia Sanitária e Ambiental e possui Licenciatura Interdisciplinar em Ciências da Natureza e suas Tecnologias (LICNT) pela mesma instituição.
Ele integra o Grupo de Pesquisa de Carcinologia e Biodiversidade Aquática (GPCBio), sob a orientação do professor doutor Fabrício Lopes de Carvalho, atuando na área de Manejo e Conservação de Biossistemas, com foco na linha de Funcionamento e Sustentabilidade em Biossistemas. Interessados em conhecer mais sobre a produção científica e o percurso acadêmico do pesquisador podem acessar o seu Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5271251855188103
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Relato de Pesquisa
Abaixo, o pesquisador Josué Alves Matos das Virgens detalha, em seu relato, os objetivos e a condução do seu estudo acadêmico:
O título da minha pesquisa é “EFEITOS ECOTOXICOLÓGICOS DO PETRÓLEO NO CARANGUEJO DULCÍCOLA Trichodactylus LATREILLE, 1828 (DECAPODA, TRICHODACTYLIDAE)”, que tem como objetivo analisar os efeitos ecotoxicológicos do petróleo em caranguejo de água doce, como comportamento e análise de formação de micronúcleos na hemolinfa dos organismos expostos.
Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Sul da Bahia pretende investigar como a contaminação por petróleo afeta caranguejos de água doce do gênero Trichodactylus, organismos que desempenham papel essencial na manutenção dos ecossistemas aquáticos continentais.
A pesquisa integra um projeto de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biossistemas e busca compreender os impactos ecotoxicológicos causados pela exposição aos derivados do petróleo.
Os caranguejos de água doce atuam na ciclagem de nutrientes e na manutenção das cadeias alimentares dos rios, riachos e lagos. No entanto, o aumento da poluição por petróleo e seus derivados tem levantado preocupações sobre a saúde desses organismos e a qualidade ambiental dos ecossistemas onde vivem. Entre os contaminantes mais preocupantes estão os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), substâncias reconhecidas por seu potencial tóxico e pela capacidade de provocar alterações fisiológicas, comportamentais e genéticas em organismos aquáticos.
A pesquisa será realizada com exemplares coletados em ambientes de água doce nos municípios baianos de Ibicaraí e Almadina. Os animais serão mantidos em condições controladas de laboratório e expostos a diferentes concentrações da Fração Solúvel em Água do Petróleo (WAF), uma mistura utilizada para simular situações reais de contaminação ambiental. Os experimentos terão duração de quatro semanas e permitirão avaliar tanto efeitos letais quanto alterações subletais nos organismos.

Durante os testes, os pesquisadores acompanharão indicadores como mortalidade, comportamento, alimentação e mobilidade dos caranguejos. Também serão monitoradas características da água, incluindo temperatura, pH, oxigênio dissolvido e condutividade elétrica, a fim de garantir condições adequadas para a avaliação dos efeitos do contaminante.
Outro aspecto importante da pesquisa será a análise de possíveis danos genéticos causados pela exposição ao petróleo. Para isso, serão realizados testes de micronúcleos em hemócitos, células presentes na hemolinfa dos crustáceos. O aumento da frequência dessas estruturas celulares pode indicar a ocorrência de danos ao DNA e servir como um importante biomarcador de contaminação ambiental.
Segundo a proposta do estudo, espera-se observar a presença de mortalidade e outros efeitos subletais, como alterações comportamentais à medida que crescem as concentrações de petróleo. Além disso, os pesquisadores acreditam que os organismos apresentarão sinais de estresse celular e genotoxicidade, evidenciados pelo aumento da frequência de micronúcleos.
Esses resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias de monitoramento ambiental e para a conservação da biodiversidade aquática.
Além do avanço científico sobre os impactos do petróleo em organismos de água doce, a pesquisa busca reforçar o potencial dos caranguejos do gênero Trichodactylus como bioindicadores da qualidade ambiental. Além de evidenciar lacunas em relação às espécies e aos ambientes de água doce.
A identificação precoce de alterações biológicas nesses organismos pode auxiliar órgãos ambientais e instituições de pesquisa na avaliação de áreas afetadas por poluição e no planejamento de ações voltadas à proteção dos recursos hídricos.
Até o presente momento foi feito o teste piloto do experimento com os espécimes coletados de caranguejos do gênero Trichodactylus na exposição ao petróleo com controle obtendo dados que estão sendo analisados no momento.
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