9 de agosto de 2026


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Ilhéus volta a ser cenário de grandes histórias nas mãos de Cyro de Mattos – Foto: Reprodução

A terra do cacau, que já foi cenário de grandes obras de Jorge Amado, como Gabriela, Cravo e Canela, Terras do Sem Fim (1942) e São Jorge dos Ilhéus (1944), volta a se afirmar como território fértil de criação literária. Desta vez, pelas mãos de Cyro Mattos, que lança Mares de Ilhéus (Litteralux, 144 pgs., R$ 50), livro que reúne memória, ficção e lirismo em torno do litoral sul-baiano.

Na obra, o autor reúne doze histórias sobre as gentes litorâneas da cidade praieira. O livro navega por vidas em que o mar abraça, existências feitas de sonho, ternura e sal.

Entre o real e o imaginário, as narrativas revelam a poesia que habita o cotidiano e a força silenciosa de quem vive em comunhão com as marés. O mar torna-se espelho e destino, um convite à travessia humana que une o local ao universal.

Publicada pela Editora Litteralux, o livro chega para marcar os 87 anos de vida de Cyro, que atualmente ocupa a cadeira 22 da Academia de Letras da Bahia e possui trajetória consolidada, transitando por múltiplos gêneros: conto, novela, romance, crônica, poesia, dentre outros. O livro pode ser adquirido nos sites da Amazon ou Estante Virtual.

O menino escritor

Apesar de ter nascido em Itabuna, no sul da Bahia, Cyro de Mattos explica que há muito tempo nutre grande “afinidade afetiva” por Ilhéus. Isso porque, durante a infância, a cidade foi responsável por lhe apresentar o mar pela primeira vez.

“Ilhéus me atraiu desde os idos da infância. Ofertou-me prata da lua pelas ondas, cantigas de sereia no meu peito, nos meus olhos raras águas-marinhas, soltos meus cabelos em verde brisa. De manhã, na praia, o sol acendia-me com as vozes das ondas”.

Sem que soubesse, nessas experiências infantis já começava a nascer, em seu pequeno coração, o entrelaçamento entre o real e o imaginário. Mais tarde, a fusão desses dois planos seria incorporada pelo futuro escritor de contos, poemas e crônicas, recriando a cidade e sua gente revestidas de uma carga poética advinda da épica do cotidiano.

O autor afirma que as vivências familiares também foram fontes decisivas de inspiração para algumas das histórias do livro mais recente. “Nas férias escolares houve ocasião em que o menino de Itabuna ia desfrutá-las na casa do tio Jucundino e da tia Bebé, em Ilhéus, no Outeiro de São Sebastião. Conheceria então o mar com os primos Preto, Velho, Lurdinha, Gringa, Mariana e Judite”.

Informações do A Tarde

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