Secretário de Saúde da Bahia revela apreensão com chegada de respiradores e anuncia testes em massa para profissionais de saúde

O governo da Bahia aguarda para esta semana a chegada de 350 respiradores negociados diretamente com uma empresa chinesa. Os equipamentos, necessários para o tratamento de pacientes com coronavírus, deixaram o país asiático no sábado (2) e serão fundamentais para a criação de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado.

Embora a compra já tenha sido concretizada, o secretário de Saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, adota cautela como postura. O temor é de que os aparelhos sejam interceptados, como ocorreu no início de abril, quando 600 respiradores adquiridos pelo Consórcio Nordeste ficaram retidos no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.

Para garantir que o equipamento desembarque em solo baiano, o governo do estado tem mantido sigilo sobre a rota utilizada. Mesmo sem divulgar detalhes estratégicos da operação, Fábio Vilas-Boas mostra apreensão com o transporte dos aparelhos.

“Não vou me arriscar a garantir a chegada. Só vou acreditar quando o respirador estiver no nosso almoxarifado. A gente sabe as questões que estão envolvendo o transporte de respirador por todo o mundo. Esse é o equipamento mais desejado por todos os países”, disse.

“Enquanto não tiver decolado da China, pousado no Brasil e aqui dentro, transferido para a Bahia, não poderemos descansar. Nós vimos situações como a dos estados de Pernambuco e Ceará, que conseguiram tirar os respiradores da China, que já é uma coisa difícil, e, quando os equipamentos chegaram no Brasil, foram arrestados pelo Governo Federal”, completa.

“Então, é muito difícil. Estamos cercados de aparatos jurídicos e apoio para mitigar essas contingências que podem acontecer durante o transporte”, disse Fábio Vilas-Boas em entrevista ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (4).

Conforme o boletim divulgado pela Secretaria de Saúde (Sesab) na tarde do último domingo (3), 180 dos 333 leitos de UTI disponíveis atualmente estão ocupados, o que representa uma taxa de 54%. Se o crescimento de casos se mantiver em aproximadamente 8% ao dia, a previsão é de que a Bahia ficará sem leitos a partir do mês de junho.

“A ideia é exatamente tentar casar ao máximo a taxa de uso de UTI com nossa capacidade de oferta. Temos alguma limitação em torno de respiradores, estamos aguardando a chegada dos respiradores que compramos na China e Inglaterra. Persistindo essa taxa que temos hoje, devemos atravessar o mês de maio sem maiores dificuldades de atender a demanda da população”, disse.

“Nosso medo é em relação ao mês de junho em diante, persistindo a taxa atual, teremos dificuldade para ofertar leitos. Por isso é importante derrubar a taxa para abaixo de 6%”, completou o secretário.

Parte dos respiradores que deve chegar ao estado nos próximos dias será destinada ao hospital de campanha instalado na Arena Fonte Nova.

“Serão enviados também. Na Fonte Nova a previsão é de abertura de 140 leitos de enfermaria nos camarotes e uma grande UTI de cem leitos. A obra conclui essa semana, inclusive com instalação do tomógrafo. A organização social gestora será contratada essa semana, já foi selecionada. Estamos fazendo todos os esforços para montar equipes nos próximos dias e na próxima semana abrir a Fonte Nova como hospital de campanha”, pontuou Fábio Vilas Boas.

O boletim da Sesab aponta que a Bahia possui mais de 3,5 mil casos confirmados de coronavírus, com 128 mortes.

Testagem em massa para profissionais de saúde
A Bahia possui mais de 200 profissionais de saúde contaminados com o coronavírus. Fábio Vilas-Boas mostrou preocupação com a situação, já que médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem assintomáticos podem levar a doença para dentro dos hospitais.

Para garantir o afastamento de funcionários contaminados, o secretário anunciou uma testagem em massa nas unidades de atendimento hospitalar do estado.

“O governador determinou que fossem testados 100% dos profissionais de saúde que trabalham em hospitais, UPA’s, unidades de emergência, centro de triagem de coronavírus. Vamos iniciar ao longo dessa semana e nos estruturar para cada duas semanas, 15 dias, fazer uma nova testagem de todos os profissionais de saúde de hospitais públicos e privados que estiverem atendendo pacientes com coronavírus. A ideia é excluir do trabalho os que estão positivos e assintomáticos”, explicou.

A situação no sul da Bahia é uma das principais preocupações do secretário em relação aos profissionais de saúde. Em abril, o médico Gilmar Calazans, de 55 anos, morreu após ser diagnosticado com a doença. Ele trabalhava na parte de internamento do Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), em Ilhéus.

“O rastreio que fizemos em Ilhéus apontou que 30% dos funcionários que testaram positivo não tinham sintomas. As pessoas estavam com coronavírus e não sentiam nada. Isso é um perigo muito grande para as áreas hospitalares. Acaba contaminando os colegas e também os pacientes”, alertou o secretário.

Os três municípios baianos com maior coeficiente de incidência por milhão de habitantes estão localizados na região sul. Ilhéus (1.441,53%), Uruçuca (1.315,85%), Itabuna (1055,23%) são as cidades com quadro de transmissão mais grave da doença, segundo boletim da Sesab. (G1)

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