Ilheense, Aldair, o Guardião do Tetra Mundial de 1994

Em Pé: Tafarel, Jorginho, Aldair, Mauro Silva, Márcio Santos e Branco. Agachados: Mazinho, Romário, Dunga, Bebeto e Zinho.

Poucos conseguiram transformar tanto o significado do que é ser um jogador brasileiro como Aldair. No meio de uma geração marcada por grandes talentos ofensivos, como Ronaldo e Romário, o zagueiro mostrou ao mundo que o Brasil também sabe fazer grandes defensores.

Nascido em Ilhéus, o baiano marcou época na Seleção Brasileira. Com seu estilo particular, defendeu o Brasil por mais de uma década, sempre com elegância e classe. Conquistou vários títulos, entre eles, a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Aldair é o craque da vez no #TBTdaAmarelinha.Aldair

Zagueiro da Seleção Brasileira
Jogos: 87
64 vitórias, 20 empates e apenas 3 derrotas
Títulos: Copa do Mundo (1994), Taça Stanley Rous (1987), Copa América (1989 e 1997), Copa Umbro (1995), e Copa das Confederações (1997)

Um craque do Ninho e do Benfica

Mesmo tendo nascido na Bahia, Aldair iniciou sua carreira pelo Flamengo, do Rio de Janeiro. Seu talento despertava olhares desde cedo e o Rubro-negro o contratou ainda durante as categorias de base. Em 1985, o zagueiro fez sua estreia pelo clube. E mostrou, logo de cara, que seria uma peça importante do time nos anos seguintes.

Na Gávea, Aldair conquistou o Campeonato Carioca de 1986 e a Copa União de 1987. Dois anos mais tarde, em 1989, transferiu-se para o futebol português. Foi contratado pelo Benfica, um dos mais tradicionais clubes do país, para manter o espaço dos zagueiros brasileiros no time. Afinal, chegou para a vaga deixada por Mozer e para atuar ao lado de Ricardo Gomes. Seu crescimento no futebol europeu coincidiu com o início de suas oportunidades na Seleção Brasileira.

Começo na Seleção

Em março de 1989, o técnico Sebastião Lazaroni decidiu convocar Aldair para jogos preparatórios. Graças ao seu bom desempenho, o zagueiro garantiu uma vaga no time que tentaria o título da Copa América naquele ano, no Brasil. Aquela foi a primeira grande conquista de Aldair com a camisa da Seleção. O zagueiro atuou em cinco jogos no torneio, que encerrou um jejum de 40 anos sem títulos continentais.

Lazaroni seguiu convocando Aldair e, no meio do ano seguinte, o levou para a Copa do Mundo de 1990, na Itália. Do banco, o zagueiro assistiu à eliminação da Seleção Brasileira contra a Argentina e pouco pôde fazer para ajudar o Brasil naquela competição. Paciente, o zagueiro parecia saber que sua hora de brilhar ainda chegaria, mesmo que fosse quatro anos mais tarde.

O tetracampeonato mundial

Lucas Figueiredo/ CBF

Após o fim da Copa do Mundo de 1990, Aldair nem mesmo precisou voltar para Portugal. Ficou na Itália mesmo, onde passou a defender as cores da Roma. No clube italiano, o zagueiro viveu a melhor fase de sua carreira. Mas nem mesmo sua boa forma na Roma garantiu uma vaga na Seleção.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, o zagueiro sofreu uma grave lesão no joelho. Operado, voltou aos treinamentos especificamente para se colocar à disposição do técnico Carlos Alberto Parreira. Mas quando a convocação foi anunciada, Aldair não ouviu seu nome.

E o que era uma ducha de água fria para Aldair se transformou em uma grande oportunidade. A semanas da estreia da Seleção no Mundial, o zagueiro Mozer foi cortado e Parreira convocou Aldair para substituí-lo. Com as lesões de Ricardo Gomes e Ricardo Rocha, o zagueiro da Roma fez parte da dupla de zaga titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994.

Ao lado de Márcio Santos, que estava na convocação original, Aldair mostrou todos os seus predicados. Com classe, vigor físico e muita técnica, deu segurança ao sistema defensivo do Brasil e cumpriu um papel importantíssimo na conquista do tetra.

Após o título, Aldair se tornou um ídolo nacional e conquistou seu espaço na Seleção. O zagueiro ainda disputou mais um Mundial: em 1998, na França, quando também foi titular. Depois da Copa de 94, Aldair ainda conquistou com a Seleção Brasileira a Copa Umbro (1995), a Copa América (1997) e a Copa das Confederações (1997).

Durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, Aldair encerrou sua passagem pela Seleção Brasileira. Ao todo, foram 87 jogos, com 64 vitórias, 20 empates e apenas três derrotas, números que traduzem bem a importância de Aldair para a equipe.

História na Itália

Se Aldair brilhou com a camisa da Seleção brasileira, com a da Roma ele fez história. Pelo clube, “Pluto”, como era chamado, conquistou o Campeonato Italiano, a Copa da Itália e a Supercopa da Itália. Na equipe italiana, atuou ao lado de outros jogadores brasileiros, como Cafu e Antonio Carlos Zago.

Seu desempenho foi tão fora de série que, após deixar o time em 2003, Aldair teve sua camisa aposentada pela Roma. Durante uma década, o número 6 não foi vestido por ninguém na Roma. A camisa só foi “desaposentada” em 2013, pelo holandês Kevin Strootman, com a permissão de Aldair.

Além do bom futebol e da lealdade que demonstrou à Roma em todos esses anos, Aldair ainda colecionou passagens importantes na história do clube. Em uma delas, ajudou a formação do maior ídolo recente do time: Francesco Totti. Em 1997, o zagueiro foi eleito pela equipe para ser o capitão do time.

Apesar da votação entre os jogadores lhe conceder essa honra, Aldair abriu mão da braçadeira por um bem maior. Enxergava em um jovem de apenas 22 anos, o perfil para liderar a Roma a tempos mais gloriosos. Foi dele a iniciativa de entregar a capitania do time a Totti. E assim foi feito. A ideia não poderia ter dado mais certo: o meia foi capitão da Roma até 2017, quando se aposentou aos 40 anos de idade, tendo atuado durante toda a carreira em apenas um clube.

Seleção de Masters

No início de 2020, Aldair teve a oportunidade de voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira em um confronto internacional. Em Fortaleza, o ex-zagueiro fez parte do jogo entre as Seleções de Masters de Brasil e Itália, que comemoraram os 25 anos da final da Copa do Mundo de 1994, disputada entre os dois países.

O zagueiro ainda havia participado das celebrações do aniversário do tetra no ano anterior, com direito a uma pelada entre os campeões e convidados na Granja Comary, o Centro de Treinamento da Seleção Brasileira. Nesses dois compromissos, Aldair pôde sentir mais uma vez o gosto de defender a Seleção, reencontrar os amigos e nos brindar com sua classe.

Informações da Assessoria da CBF

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