‘MORRA QUEM MORRER’: prefeito explica declaração polêmica sobre coronavírus: ‘Pressão que estou levando ninguém aguenta’

Foto: Lucas Arraz / Bahia Notícias

O prefeito Itabuna, Fernando Gomes (PTC), explicou ao G1, portal da TV Globo, o contexto da declaração que deu através de transmissão na internet, sobre a reabertura do comércio na cidade e que ganhou repercussão nacional após ele dizer que autorizaria que estabelecimentos comerciais reabrissem as portas “morra quem morrer”. Um dia depois, a gestão municipal divulgou uma nota afirmando que o prefeito foi mal interpretado.

Fernando Gomes, que tem 81 anos e está no quinto mandato como prefeito em Itabuna, afirmou que a frase foi dita em um momento de pressão sofrida por ele durante o combate à pandemia do coronavírus na cidade.

“A gente diz as coisas e coloca umas palavras soltas, de raiva, já que está na pressão. Não colocaram o que eu disse antes. Ninguém fez mais em saúde em Itabuna que Fernando Gomes, tenho cinco mandatos de prefeito.

Todos os postos daqui fui eu que construí. A pressão que estou levando ser humano nenhum aguenta. O governador está no palácio, prefeito está no palácio e prefeito está na rua. O Hospital de Base de Itabuna está hoje com 82 leitos, 10 leitos de UTI. Eu ia abrir [o comércio] e quando chegou na segunda-feira estourou [o número de casos da Covid-19] , encheu a Santa Casa e os 10 leitos de UTI do Hospital de Base. Sabe o que aconteceu? O prefeito que se vire para resolver o problema”, disse Fernando Gomes.

A previsão da prefeitura de Itabuna era colocar em prática a flexibilização das atividades comerciais a partir da última quarta-feira (1º). No entanto, a reabertura foi adiada porque o município registra 100% de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com a Covid-19, conforme apontou relatório da Procuradoria Jurídica do Município.

Na quarta-feira, Fernando Gomes falava sobre o processo de retomada do comércio na cidade quando, ao citar o dia de provável reabertura, disse “morra quem morrer”. A declaração foi parar nas redes sociais e teve uma repercussão negativa. “Primeiro, lutar pela vida, a vida é uma só. [Depois que] morrer, acabou [a vida]. Não tem fortuna, não tem pobreza, não tem falência, não tem nada. Mas não posso abrir uma coisa que não tenho cobertura. Com a dúvida, com os nossos morrendo por causa de um leito em Itabuna, vou transferir essa abertura. No dia 8, mandei fazer o decreto, que no dia 9 abre, morra quem morrer”, disse o prefeito na quarta-feira.

Em entrevista ao G1, nesta sexta, o prefeito lembrou os 115 dias de fechamento do comércio não essencial, mas garantiu que não tem qualquer descaso pela vida da população. O gestor disse também que se arrependeu da declaração. “A pressão que recebo hoje em Itabuna, pouco ser humano aguenta receber. Uma palavra que eu disse. Agora querem criticar. Tudo política. Se você está em uma pressão, solta uma frase qualquer. Se está numa guerra, solta uma frase. Uma frase que um homem que está governando o município. Quer matar alguém? Não. Minha preocupação sabe o que é? O comércio está há 115 dias fechado”.

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