SOBRE O FERIADO NATALINO

É bem sabido que o calendário brasileiro vive repleto de feriados: Carnaval, Páscoa, São João, Dia das mães, Dia dos pais, etc. e, ao final de mais um ano, chegamos à data separada para a comemoração do Natal. Muitos se apressam e se estressam correndo de um lado para o outro na busca de preparar a melhor ceia natalina para a família, correm e se esmeram na escolha dos presentes que serão compartilhados, dedicam-se às compras de roupas, calçados e outros utensílios pessoais – após a liberação do décimo terceiro salário -, montam uma imensa expectativa dedicada à celebração do feriado de Natal em família, mas (no fim das contas) qual é o real sentido dessa expectativa? Para qual finalidade nos desgastamos tanto nessa época?

O vocábulo feriado deriva etimologicamente da palavra latina “feriar” que significa tirar férias, repousar. Retirando-se desse significado é bem plausível a interpretação de que aproveitar o feriado de Natal signifique tão somente repousar em família, comer, beber, fartar-se e, enfim, usufruir de todas as benesses derivadas do consumismo típico desse período. Contudo, esse modo de interpretar o Natal esbarra na razão de ser dessa data: o nascimento de Jesus Cristo. Bem, mas esse significado redentor para os cristãos também encontra obstáculos entre cristãos, que todo ano jogam o Natal no balaio dos festejos pagãos alegando, em defesa, as mesmas objeções à importância de se comemorar o nascimento do Cristo:

  • O Natal surgiu de uma comemoração dedicada a deuses romanos;
  • Jesus não nasceu em 25 de Dezembro;
  • O Natal se transformou em uma data consumista.

Sobre essas controvérsias vale citar o que o apóstolo Paulo diz a respeito dos “dias santos”: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus” (Romanos 14: 5-6).

Em resumo, Paulo afirma que se existem cristãos que desejam guardar determinados dias para o Senhor, os que não os guardam não devem se achar mais cristãos por conta disso e vice-versa. Isso se aplica ao dia de Natal que pode ser comemorado no dia 25 de Dezembro ou em qualquer outra data, assim como pode ser celebrado sem a delimitação de uma data específica no calendário.

Contudo, o Natal é celebrado pela maioria dos cristãos no dia 25 de Dezembro e há motivos bíblicos que legitimam esse consenso:

  • Os pastores comemoraram quando os anjos anunciaram o nascimento do Salvador, Cristo o Senhor (Lucas 2,11).
  • O Natal se refere ao Messias prometido que veio salvar o mundo de seus pecados (Mateus 1,21).
  • Os magos do oriente que seguiram a estrela presentearam o menino Jesus como forma de comemoração de seu nascimento. Mateus conta que, encontrando o menino na manjedoura, “abriram seus cofres e ofereceram-lhes presentes: ouro, incenso e mirra(Mateus 2: 1-12).
  • O mundo repousa na época natalina, fato que dá aos cristãos a oportunidade de anunciar o mistério da encarnação aos que não o conhecem plenamente.
  • A igreja cristianizou o feriado que era dedicado à honra dos deuses romanos.

Sobre a última afirmação vale a pena destacar que o dia 25 de Dezembro foi escolhido para a celebração do nascimento de Cristo somente por volta do século V da era cristã e que essa mesma data era dedicada à adoração aos deuses romanos como o deus sol e Saturno. Todavia, não foi a igreja que incorporou as festividades romanas ao Natal, mas o contrário. O dia dedicado aos deuses pagãos de Roma foi cristianizado. Foi convertido em dia de celebração e exaltação ao nascimento de Jesus Cristo. Portanto, a realidade história que cerca essa celebração não a invalida biblicamente. Toda a cultura e as tradições do mundo podem ser absorvidas pelos cristãos, desde que não desvirtuem o propósito da igreja (corpo místico de Cristo) no mundo que é o de anunciar e promover a influência redentora de Jesus Cristo à cultura humana.

Conclusão

O Natal consumista do mundo, que se dedica tão somente ao usufruto da carne, não é o Natal cristão. Mas isso não significa que comprar presentes, cear, reunir-se com a família, decorar árvores de Natal, enfim, sejam tradições que devam ser rejeitadas pelos cristãos. O verdadeiro sentido do Natal ocorre quando todas as tradições acumuladas ao longo dos séculos se tornam subsidiárias frente à glória máxima dessa celebração: o nascimento do messias, aquele que foi profetizado sete séculos antes pelo profeta Isaías:

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.”

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9: 2,6).

REFERÊNCIAS:

MacArthur, John. Os cristãos devem celebrar o Natal? Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/natal/natal_macarthur.htm> acesso em: 24/12/2019.

Musselm, Vinícius. Redimindo o Natal Disponível em: <https://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/12/redimindo-o-natal/> Acesso em: 24/12/2019.

Bíblia Almeida Corrigida. Isaías Capítulo 9.  Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/acf/is/9> Acesso em: 24/12/2019.

Significado de Feriado. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/feriado/ > Acesso em: 24/12/2019.

Natal. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Natal> Acesso em: 24/12/2019.

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