Estudo pode aumentar 50% a capacidade de transporte de cargas; Ilhéus pode ser beneficiada

Uma área de 1.200 quilômetros quadrados na costa do Amapá atualmente é um entrave para navegação de grandes embarcações de carga e descarga, que acabam tendo a capacidade de trafegabilidade limitada. A região em questão é tomada por lama fluida, fenômeno decorrente dos sedimentos do rio Amazonas e que reduz a capacidade transportada pelos navios.

Estudos iniciados em 2017 pela Marinha do Brasil buscam monitorar a área e definir formas viáveis para elevar a navegação pelo trecho, sem causar danos ou encalhar os navios.

O trecho da costa do estado integra o Arco Norte, região fundamental para o escoamento da produção agrícola e mineral numa rota central do país e com conexões para a Europa e os Estados Unidos.

Um encontro em Macapá que iniciou nesta terça-feira (23) e segue até a quarta-feira (24) está esclarecendo autoridades e buscando soluções para viabilizar a passagem de grandes navios pela costa do Amapá, limitados atualmente, a embarcações de até 55 mil toneladas.

O objetivo, segundo a Marinha, é elevar a passagem para cargueiros com capacidade de 75 mil a 85 mil toneladas, aumento superior a 50% da atual. Os estudos visam aumentar o calado – parte do navio que fica submersa – no rio Amazonas, fixado atualmente em 11,7 metros.
 
A medida atual foi reajustada pela última vez recentemente e ganhou 20 centímetros a mais de calado, o que representou um ganho de 3 mil toneladas na capacidade de carga. A elevação deverá acontecer de forma gradual, de centímetros em centímetros por vez.

“Temos uma área muito específica, não navegamos em canal, navegamos numa área extensa de lama fluida e os efeitos que nós temos nas nossas bacias hidrográficas de despejo de sedimentos, forma uma área intensa com lama e fundo consolidado rígido, que não é homogêneo”, explicou o vice-almirante Newton de Almeida Costa Neto, comandante do 4º Distrito Naval da Marinha.

Os estudos da Marinha vão custar cerca de R$ 10 milhões e dois navios da corporação estão permanentemente estudando a área com uso de radares e sonares.

“Cada centímetro que a gente aumenta de calado a gente aumenta milhares de toneladas de carga para que a gente possa fluir e exportar mais, é mais economia”, completou Costa Neto.

O seminário sobre os aspectos gerais da navegação em lama fluida e sua aplicabilidade no arco lamoso da região da barra norte do rio Amazonas acontece na sede do Sebrae, na Zona Central. Confira a programação.
 
O ganho econômico da liberação de mais carga no trecho da foz do rio Amazonas está entre as principais metas do estudo. A Marinha prevê investir em tecnologia para garantir a navegação na lama fluida.

“A meta secundária é permitir que a economia se desenvolva nessa região com maior intensidade. Todos os navios que saem e entram passam por essa região, imagina se aumentam o calado, o fluxo de ida e vinda, o comércio. É um polo irradiador de crescimento, bem estar e desenvolvimento para essa região”, pontuou o almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior, comandante da Marinha.

O evento que reúne especialistas, técnicos e agentes políticos está ampliando o conhecimento sobre a área com posterior análise do potencial econômico a partir da liberação do aumento do calado.
 
Para o governador Waldez Góes, o Amapá poderá receber ainda mais o fluxo de cargas vindas de outros estados, resultando em geração de empregos e concentração de recursos.

“O Amapá tem uma ótima localização, mas uma péssima navegabilidade. Assim mesmo, aqui no Amapá o transporte de cargas vindas do Centro-Oeste para qualquer lugar do mundo já é significativo. Cada vez mais o Amapá é olhado para o uso desse potencial hidroviário”, reiterou.
 
A parceria para realização do seminário e para a reserva de recursos para o estudo, partiu de parceria política com o Governo Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reforçou a capacidade de expansão da navegação e da economia amapaense.

“Há a possibilidade de termos um atrativo internacional para promover o Amapá para esse desenvolvimento. Isso é uma conquista histórica. Estudamos há décadas aumentar o calado da Barra Norte. Temos a possibilidade de aumentar a nossa capacidade de interlocução do mundo”, acredita o líder político.

O corredor do Arco Norte pode ser definido por uma linha imaginária que atravessa a extensão do território brasileiro, passando próximo as cidades de Ilhéus (BA), Brasília (DF) e Cuiabá (MT).

Os portos de principal interesse do agronegócio que compõem esse segmento logístico são os de Itacoatiara (AM), Santarém e Barcarena (PA), Santana (AP), São Luís (MA), Salvador e Ilhéus (BA), informou o G1.

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