YouTube afirma que homofobia não viola suas políticas de assédio

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Há menos de uma semana, o jornalista da Vox Media e apresentador da série Strikethroughdesde 2017 Carlos Maza começou a publicar em sua conta no Twitter os vários casos de racismo e homofobia que vem sofrendo há mais de dois anos em vídeos do youtuber conservador Steven Crowder, requisitando uma ação justa do YouTube com base em suas políticas oficiais que proíbem conteúdo ofensivo de ser compartilhado na plataforma.

O caso tomou proporções gigantescas a medida que os dias se passavam e cada vez mais acusações e provas surgiam contra Crowder, mas sem que o YouTube fizesse algo a respeito ou desse um posicionamento oficial com base em sua política de assédio. Ao menos até agora.

No mês do Orgulho LGBT+, com todas as contas oficiais do YouTube espalhando a bandeira de resistência da comunidade, a maior plataforma de vídeos do mundo afirma que os conteúdos publicados por Crowder não violam as políticas de assédio do YouTube, embora eles o façam.

Os casos de homofobia e racismo

“Desde que comecei a trabalhar na Vox, Steven Crowder tem feito vídeos depois da estreia de Strikethrough. Cada um dos vídeos incluíam ataques repetidos à minha orientação sexual e etnia”, diz Carlos Maza em um tweet do dia 30 de maio. O jornalista afirma que tem sido chamado de forma pejorativa por anos, com ofensas diretas à sua pessoa em repetidos vídeos publicados por Crowder com milhões de visualizações.

Em uma rápida amostra de parte do conteúdo que o youtuber publica, vemos de forma clara que os insultos e “piadas” eram (e continuam sendo) direcionadas para Carlos Maza por sua homossexualidade e etnia.

Além das ofensas verbais categoricamente classificadas como declarações de ódio, determinados vídeos de Crowder exibem uma camiseta vermelha com insulto direto para a comunidade LGBT+. A camiseta é vendida pelo próprio youtuber e, mesmo exibida na plataforma de vídeos do Google, claramente indo contra as políticas de assédio do YouTube, a empresa decide fazer nada.

Em um caso ainda mais grave contra o próprio Carlos Maza, Crowder iniciou as vendas de uma nova camiseta com ofensa direta ao jornalista da Vox.

O YouTube proíbe tais conteúdos?

Sim. A Política de Assédio e Bullying Virtual do YouTube afirma que “não é permitido conteúdo ou comportamento destinado a assediar, ameaçar ou intimidar terceiros de forma mal-intencionada” na plataforma.

Segundo o documento, que pode ser lido na integra em português aqui, vídeos que violem a política do YouTube com “conteúdo postado deliberadamente para humilhar alguém”, “comentários/vídeos ofensivos e negativos sobre outra pessoa” e “conteúdo que incita outros a assediar ou ameaçar indivíduos dentro ou fora do YouTube” são removidos da plataforma:

 Se o conteúdo violar essa política, ele será removido, e você receberá uma notificação no seu e-mail. Se essa for a primeira vez que você publica conteúdo que viole nossas diretrizes da comunidade, seu canal receberá apenas uma advertência sem penalidade. Caso contrário, emitiremos um aviso. Seu canal será encerrado se receber três avisos.

A resposta oficial do YouTube apoia o conteúdo racista e homofóbico de Steven Crowder

Segundo a publicação oficial do YouTube para Carlos Maza, a empresa leva “alegações de assédio muito a sério” e sabe que “isso é importante e impacta muitas pessoas”. Após dias conduzindo uma “análise profunda” dos vídeos, a empresa confirma que encontrou “linguagem claramente ofensiva”, mas que “os vídeos postados não violam nossas políticas.”

A publicação oficial em inglês utiliza a palavra “hurtful” (ofensiva/danosa/nociva/prejudicial) para relacionar à linguagem de Crowder, e isso causa uma grande controvérsia entre a empresa e sua própria política de assédio. O mesmo termo “hurtful” é utilizado pelo YouTube em seu documento de Política de Assédio e Bullying Virtual ao descrever a proibição de conteúdo com comentários ofensivos.

Dessa forma, a plataforma confirma que os vídeos de Crowder possui “linguagem claramente ofensiva”, citando o próprio tweet do TeamYouTube, mas ao mesmo tempo entra em contradição com sua política ao não banir o canal.

A hipocrisia do YouTube no mês do Orgulho LGBT+

Carlos Maza também atacou o YouTube por hipocrisia ao afirmar que a plataforma está usando criadores de conteúdo LGBT+ para se beneficiar. O YouTube já exibiu propagandas anti-LGBT+ em vídeos que continham mensagens da comunidade para as pessoas, o “modo restrito” do serviço escondeu conteúdos e canais de youtubers LGBT+, além de já ter removido vídeos com temática LGBT+ sem que o conteúdo seja discriminatório ou viole suas políticas.

Agora, com o mês do Orgulho LGBT+, a plataforma diz oferecer total apoio às comunidades e às minorias, embora tenha neglicenciado há anos o trabalho de criadores LGBT+ e continua não os apoiando de verdade quando agressões, assédio e conteúdo difamatório é publicado de forma completamente livre dentro de sua própria plataforma.

YouTube se nega a comentar

Segundo o The Verge (site que faz parte da Vox Media), o “YouTube não responde aos múltiplos pedidos para comentar sobre como os vídeos de Crowder não violam suas políticas de assédio e bullying virtual” e confirmou que não vai dar comentários oficiais além do que foi disponibilizado em resposta ao tweet de Carlos Maza.

Em nota oficial, Melissa Bell da Vox Media (empresa em que Maza é jornalista e apresentador) afirma que “recusando-se a tomar uma posição sobre discurso de ódio, [o YouTube] permite que o pior de sua comunidade se esconda atrás de gritos de ‘liberade de expressão’ e ‘fake news’ enquanto continua mirando pessoas com o mais odioso e ofensivo assédio”.

Visto que o YouTube não fará nada mais da situação, Maza declara que esta história “confirma o que muitas pessoas suspeitaram por um tempo: que estas politicas anti-assédio do YouTube são besteiras. São políticas falsas destinadas a induzir os anunciantes a acreditar que o YouTube realmente se preocupa com o policiamento do que acontece em sua plataforma.”

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