O futuro da advocacia por Camila Soares Gonçalves

O futuro da advocacia

O sucesso na advocacia privada tem sido cada vez mais difícil. A atuação do advogado, tal como realizada décadas atrás, não se mostra mais suficiente aos anseios dos clientes e mudança de era pela qual passou a sociedade, principalmente nos últimos 20 anos.

Existem mais de um milhão de advogados no país , tornando cada vez mais árdua a tarefa de se destacar no mercado como um excelente profissional. Não bastasse isso, o uso da inteligência artificial coloca em cheque algumas tarefas que podem ser realizadas por robôs e softwares de forma significativamente mais ágil do que por seres humanos. Os clientes também mudaram de perfil e hoje buscam serviços eficientes e de qualidade, que demandem o menor desgaste psicológico, tempo e custo financeiro possível.

Nesse cenário, questiona-se, como se tornar um advogado do futuro? O Brasil é o país com a maior densidade de advogados por habitante do mundo . Isso se deve ao aumento exponencial dos cursos de Direito, que cresceram aproximadamente 700% (setecentos por cento) em 20 anos.
Logo, a mera graduação em direito, por si só, não é mais capaz de garantir que o advogado seja um profissional de sucesso. Ao contrário, cada vez mais torna-se necessário a sua especialização, por meio da realização de pós-graduações, MBA, LLM, mestrado, doutorado, PHD, seminários, cursos e congressos.

Isso porque o comportamento dos clientes de hoje é completamente diverso do praticado nas últimas décadas. O crescimento tecnológico da década de 90 em diante superou os últimos 200 anos de evolução. Só por ai já é possível entender porque a mudança do perfil dos consumidores dos serviços advocatícios.

O conhecimento hoje está na palma das mãos. O acesso amplo à internet mudou a sociedade de modo a refletir diretamente na forma de contratação de advogados.

Atualmente os clientes buscam os advogados muito mais pela internet, do que por recomendações de amigos e familiares , de onde se denota a importância de o advogado ter uma presença digital de qualidade para obtenção de negócios.

E por falar em tecnologia, o profissional do futuro da advocacia deve estar antenado com as ferramentas existentes que podem aumentar sobremaneira sua produtividade. É possível obter softwares gratuitos ou a baixo custo que realizam automatização de processos, análises e eficiência de serviços, fazendo com que o advogado perca menos tempo realizando tarefas administrativas e foque muito mais na análise estratégica do direito do cliente.

A inteligência artificial veio para, exatamente, retirar dos advogados de hoje, a realização de funções “não-jurídicas”, que ocorrem de forma automática e sistematizada, não prejudicando, portanto, a atuação do advogado que, de forma estratégica, busca a solução dos problemas do cliente de forma estratégica.

A jurimetria, por exemplo, é uma das ferramentas que utiliza-se da inteligência artificial. Consiste na estatística aplicada ao direito, ou seja, a junção da economia e do direito para prever resultados, probabilidades e valores dentro da análise. Podem ser realizados levantamento de dados de determinados temas por juízes, comarcas de 1ª instância, câmaras dos Tribunais, Tribunais de Justiça, por exemplo, para verificar a chance de ganho/perda conforme o pedido.

Considerando o uso da jurimetria, onde os resultados de litígios podem ser calculados estatisticamente, o papel do advogado é ainda mais essencial, pois necessita de habilidades de persuasão, além da realização de um trabalho crítico e inovador nos casos onde não há dados anteriores para basear-se.

Não bastassem todos os fatores mencionados que tornam ainda mais difícil o sucesso do advogado, outro ponto gravíssimo piora ainda mais o cenário, principalmente no Brasil. O advogado brasileiro atualmente investe, em média, apenas R$680 por ano em tecnologia, informação e conhecimento. Já o advogado norte-americano investe dez vezes anualmente . Percebe-se claramente que o advogado

Não se pode ignorar os fatos. O mercado exige profissionais cada vez mais produtivos e estratégicos, de alta performance, que solucionem problemas de forma com menor tempo, desgaste psicológico, e custo possível.

Esse é o caminho que deve ser trilhado pelo advogado do futuro: o da análise estratégica do direito, investindo no desenvolvimento de habilidades que vão além da sua formação básica, saindo da zona de conforto e pensando fora da caixa. Somente com inovação e desenvolvimento profissional será possível enfrentar os desafios da advocacia, atingindo o tão almejado sucesso.

Camila Soares Gonçalves: Advogada, professora e palestrante. Mestranda em Direito Privado , Pós-graduada em Advocacia Cível e em Direito Tributário

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