Aquecimento de oceano ameaça corais no Sul da Bahia

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O branqueamento de corais que fazem parte do Parque Marinho de Recife de Fora, em Porto Seguro, no extremo-Sul da Bahia, deixou pesquisadores em alerta quanto à conservação do ecossistema marinho no parque, muito visitado por turistas na região.

Segundo informou nessa quinta-feira (21) a ONG Coral Vivo, que há 15 anos trabalha para preservar os recifes de corais do local, o problema é decorrente do aquecimento global, que resulta no aumento da temperatura dos oceanos. A informação surge dois dias após um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostrar que corais de Abrolhos foram contaminados por rejeitos de mineração da barragem de Fundão, que se rompeu em Mariana (MG), em 2015.

Em Recife de Fora, que fica localizado a 23 km da costa de Porto Seguro, a temperatura chega a 28ºC. “Pesquisas mostram que o aumento de 1 grau Celsius já é o bastante para afetar a vida de um coral”, explica a oceanógrafa Flávia Guebert, coordenadora da Coral Vivo.

O branqueamento vem sendo percebido há cerca de dois meses e já tinha ocorrido também em 2016, quando ocorreu o fenômeno El Niño. “Esse ano também é de El Niño, quando as águas ficam mais quentes no Verão”, complementa Flávia.

Ela explica que, quando as temperaturas aumentam, as algas que ficam dentro dos corais, em um processo de simbiose, deixam de fazer a fotossíntese e passam a ser tóxicas, sendo expulsas pelos corais.

“Dizemos que os corais estão passando por uma situação de estresse quando ele não consegue manter o ritmo de vida normal dele junto com as microalgas e acabam expulsando-as. Isso pode levar o coral à morte”, diz Flávia.

Por enquanto, a oceanógrafa informou que não foi notada ainda a morte de corais por conta do problema, mas, se isso ocorrer, pode desencadear um problema sério na vida marinha, pois os corais são os locais onde os peixes menores de alimentam. “Os peixes grandes, por sua vez, vão aos corais comer os peixes pequenos, e não achando comida vão buscar em outro local e correm risco de ficar com fome também e morrer, é uma reação em cadeia”, afirmou.

Ela afirma também que a redução de gás carbônico na atmosfera é a principal medida para contenção do problema.

“É preciso a sociedade repensar os seus hábitos e pensar mais nas consequências para o meio ambiente. Esse é um exemplo claro do que pode ocorrer se não tomarmos cuidado com o aumento da emissão de gases na atmosfera e com o desmatamento”.

No mês passado, um estudo de pesquisadores chineses e americanos, feito com base em dados do Instituto de Física Atmosférica, da China, e publicado na revista científica “Advances in Atmospheric Sciences”, mostrou que a temperatura dos oceanos em 2018 foi a mais quente dos últimos 60 anos.

E dentre os efeitos desse aquecimento está o branqueamento de corais, assim como o derretimento de geleiras. Outro problema associado a isso é a maior intensidade das tempestades tropicais, como furacões e tufões.

“O aquecimento global é consequência do aprisionamento de gases de efeito estufa — que mantêm a radiação do calor dentro do sistema terrestre”, afirma o estudo.

Informações do Correio da Bahia

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