ILHÉUS: Hippie que vendia produtos na praia abre rede de joias e semijoias

Quando se fala em praia, muitas imagens nos vêm à cabeça: sol, mar, água de coco e as bijuterias expostas em telas carregadas no ombro de artesãos. Todo mundo pelo menos já parou para admirar os diferentes itens à venda, que costumam variar bastante, indo de brincos de penas ou miçangas até anéis de madeira.

Foi com esse tipo de atividade que João José Azevedo, conhecido como Coco começou a ganhar dinheiro em 1978, quando tinha apenas 16 anos. Hoje, sua marca, a ArtCoco, tem 12 unidades na Bahia e busca expansão para outros estados.

“Eu era o responsável pela fabricação de todas as peças que vendia e, todo dia de manhã, separava algumas delas em minha tela e saía para vende-las nas praias de Ilhéus. Não sobrava nenhuma bijuteria ao fim do dia”, conta Coco.

Com o sucesso das vendas, em 1978 o jovem decidiu se mudar de Rio do Pires, onde nasceu, para Ilhéus. Lá ele começou com uma pequena barraca na praia até abrir sua primeira unidade: um quiosque em um mercado de artesanato local. Em função de um programa da prefeitura, ele só precisaria arcar com custos de água e luz, sem pagar pela locação do espaço.

Com esta trajetória, o empreendedor, assumidamente hippie, passou a ser reconhecido pelos diferentes cidadãos de Ilhéus até mesmo na hora de furar suas orelhas.

“Virou tradição. Assim que nasce um novo bebê, a família o leva para furar as orelhas, sendo que, há muito tempo atrás, fiz o mesmo por suas mães e avós”, lembra o empresário.

Depois de 10 anos na cidade, Coco decidiu que era hora de expandir seus negócios e o lugar escolhido foi a cidade de Vitória da Conquista, também na Bahia, onde abriu sua segunda loja. Entretanto, para que o empresário, com poucos recursos financeiros na época, conseguisse dar este passo, ele precisou contar com a ajuda dos fornecedores – até a abertura da sexta loja: três próprias e as demais comandadas por familiares.

“Meu pai pagava pelos produtos só depois que eles eram vendidos, isso só foi possível porque os fornecedores já o conheciam e sabiam do seu potencial como vendedor, além de, claro, ser um bom pagador”, comenta João Leno, filho do fundador, e um dos sócios da franqueadora.

Ao longo do tempo, com a abertura das demais unidades, já franqueadas, o empresário começou a notar também uma nova demanda de mercado. Ele percebeu que, para continuar crescendo, precisaria investir em peças que fossem além das artesanais.

“Para isso, terceirizamos a parte da fabricação de nossos produtos e decidimos trabalhar com semi-joias”, diz Coco.

Hoje, a marca ainda é responsável por 50% do processo de produção, realizando, por exemplo, os banhos de ouro e ródio dos itens. Além dos modelos banhados, a empresa também conta com itens de prata.

Com a transição na linha de produção, a ArtCoco apresenta atualmente um portfólio de cerca de 3000 produtos, que variam desde peças mais simples, como anéis e brincos de prata 925 até colares e pulseiras folhadas a ouro 18k. Além das lojas físicas, é possível comprar os produtos por meio do e-commerce da marca, que realiza entrega para todos os estados.

Franqueadora

A marca, que ingressou no segmento do franchising há dois anos, tem três unidades próprias e nove franqueadas – todas no estado da Bahia –, que faturam cerca de R$ 80 mil por ano cada.

Com o objetivo de expandir para o restante do País, a rede, que também pertence aos sócios João Leno, filho do fundador, e os advogados Lucas Carvalho e Alex Andrade, oferece um modelo de franquia com investimento inicial de R$ 140 mil.

A rede tem dois grandes diferenciais em relação aos produtos: a qualidade e o preço. Para atingir a cor dourada, as bijuterias recebem banhos de 5 a 10 milésimos em ouro, além de um verniz protetor, o procedimento faz com o que aumente a durabilidade das peças que ficam mais resistentes ao tempo e ao uso.

Desta forma, algumas peças da marca chegam a ter um ano de garantia. Além disso, como a Artcoco é a responsável pela produção final das peças – uma das etapas mais caras do processo de confecção – consegue baratear os preços para o consumidor final. Se a última etapa fosse terceirizada, os valores praticados poderiam ser até 10% maiores.

Outro ponto de destaque é a política de comissionamento das unidades. Cada loja tem uma meta coletiva de vendas e, ao final do mês, as comissões são divididas igualmente por todos os funcionários.

“É um método que estimula o trabalho coletivo, sem criar atrito entre os vendedores”, explica o sócio Lucas Carvalho.

O sócio Alex lembra que Coco sempre quis manter a essência de empresa familiar também nas novas lojas e, para isso, busca pessoas de confiança que valorizem as peças tanto quanto a família valoriza.

“Este é o grande segredo para que a Artcoco continue crescendo”, conclui.

*Informações da EXAME.

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