
No ano de 2018, 46 casos de suspeita de sarampo foram identificados na Bahia. Desses, 23 foram descartados e outros 23 estão sob análise do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Dos 417 municípios da Bahia, 60 têm alto risco de surto de sarampo e 12 têm muito alto risco, de acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Saúde da Bahia (Sesab). O nome das cidades, contudo, não foi divulgado pela Sesab.
O risco de importação viral na Bahia é considerado elevado pela Secretaria por conta do intenso fluxo turístico do estado. Um boletim epidemiológico expedido pela pasta neste mês mostrou que o monitoramento do sarampo deve ser intensificado por conta da possibilidade de reintrodução da doença.
Apesar dos 23 casos que estão sendo analisados no Lacen, a enfermeira integrante da coordenação de imunização da Sesab, Vânia Rebouças, explica que a notificação de suspeita é realizada durante todo o ano, de forma obrigatória, para todas as pessoas que tenham os sintomas básicos de sarampo como febre e manchas avermelhadas acompanhadas de tosse, coriza e conjuntivite. “Assim como os outros 23 casos foram descartados, esses também podem ser. A notificação é obrigatória e, por isso, não necessariamente essas pessoas estão contagiadas”, informa.
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Em 2006, um surto com 77 casos confirmados pelo vírus foi registrado nos municípios de João Dourado, Filadélfia, Senhor do Bonfim e Pindobaçu. A Sesab ainda classifica a situação do risco de reintrodução de sarampo na Bahia como “preocupante”.
O indicador de cobertura vacinal é um dos que mais chamam atenção da pasta. A meta do estado é de 70% de cobertura, que foi alcançada e ultrapassada nos anos de 2013 (72) e 2014 (75). Houve, no entanto, uma queda abrupta em 2015, quando a porcentagem caiu para 45,56%, decrescendo sucessivamente. Em 2018, a cobertura é de 21,10%.
Para garantir uma melhora na cobertura vacinal do estado, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) encaminhou nesta semana ofício aos promotores de Justiça de 53 municípios onde foi identificada baixa cobertura vacinal para que eles cobrem das prefeituras medidas que estimulem e promovam a vacinação.
Um Plano de Sustentabilidade da Eliminação do Sarampo e da Rubéola – doenças exantemáticas – foi elaborado pela Sesab. Dentre as ações, estão o estreitamento da parceria com o Lacen para melhorar o encaminhamento de amostras para diagnóstico, reunião com os municípios classificados como “alto” e “muito alto risco” para orientá-los quanto a intervenções para reduzir o risco, entre outros. “O plano foi elaborado para evitar que o vírus volte a circular na Bahia. Nós precisamos trabalhar com estratégias para aumentar a visibilidade dos indicadores que poderão nos ajudar com a eliminação do vírus. Dentre eles, precisamos ter cobertura vacinal elevada para evitar a formação de bolsões – que são áreas com baixa cobertura de vacina – que significa um risco muito maior de reintrodução”, explica Vânia Rebouças, da coordenação de imunização da Sesab.
A garantia de envio de amostras para o laboratório em menos de 24h, o fortalecimento da parceria com a vigilância epidemiológica e treinamentos para melhorar a rede de atenção básica foram citados por Vânia como ações necessárias para impedir que o sarampo volte a circular na cidade.
O Brasil não exige que imigrantes tenham tomado a vacina de sarampo para entrar no país. A reintrodução da doença ocorre, na maioria das vezes, com imigrantes contaminados.
Quando há a suspeita de sarampo, o médico tem a obrigação de realizar a notificação do caso. Uma ficha é preenchida com o caso, que passa a ser monitorado pelas equipes de vigilância. Medidas de controle são realizadas, como bloqueio vetorial – quando é o caso – ou tratamento. “Várias ações são tomadas quando o caso é notificado e fazemos uma ação integrada entre vigilância, saúde municipal e estadual”, esclarece a assessoria do Lacen.
As amostras de urina e secreções de mucosa devem ser colhidas com rapidez, porque o sarampo é extremamente contagioso. O isolamento é necessário para que outras pessoas não fiquem expostas e aumente o risco de surto. Caso a sorologia dê positiva, o exame é encaminhado para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para que o isolamento viral seja realizado.
Campanha
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo será de 6 a 31 de agosto, com o chamado Dia D de Mobilização Nacional agendado para 18 de agosto. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem ser levadas aos postos de saúde – mesmo que já tenham sido imunizadas anteriormente.
Verifique orientações quanto à doença
Uma vez sendo notificado um caso suspeito, a investigação deve ser realizada pelas equipes de saúde nas primeiras 48 horas após a notificação, com a coleta de dados e preenchimento da ficha de investigação.
Medidas de controle para interromper a cadeia de transmissão da doença devem ser realizadas com fornecimento de vacinas. Pessoas que tiveram contato com o suspeito e não são vacinadas devem tomar a vacina. Buscas ativas devem ser realizadas no trabalho, escola, creche, igreja, entre outros locais frequentados no período de transmissibilidade.
A amostra de sangue deve ser colhida no primeiro atendimento do paciente e coleta de swab oro e nasofaríngeo e urina também devem ser colhidos para identificação viral, com encaminhamento ao Lacen.
Medidas de isolamento respiratório nos hospitais e no domicílio devem ser adotadas. Deve-se evitar a frequência às escolas ou creches, agrupamentos e qualquer contato com pessoas suscetíveis durante um período determinado.
Febre por mais de 3 dias após o aparecimento das manchas é um sinal de alerta e pode indicar o aparecimento de complicações, como infecções respiratórias, otites, doenças diarreicas e neurológicas.
Não existe tratamento específico para a infecção por sarampo. É recomendado a administração da vitamina A em todas as crianças acometidas pela doença, para reduzir a ocorrência de casos graves e fatais, no mesmo dia do diagnóstico do sarampo.
Quando é confirmado o sarampo, as ações de controle devem ser intensificadas de acordo com orientações da vigilância epidemiológica, informou o Correio.

Franklin Deluzio é graduado em Filosofia (UESC), possui graduação incompleta em Física pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), como também graduação incompleta em Licenciatura Interdisciplinar pela (UFSB), é Especialista em Gestão Pública Municipal (UESC), Conselheiro de Saúde, Fiscal do Sistema E-TCM, Design Digital Júnior, Design Editorial Júnior, Servidor Municipal de Ilhéus/BA e estrategista em Geomarketing Eleitoral. DRT n. 0007376/BA.
Áreas de interesse: Ufologia, Gestão e Desenvolvimento Urbano, Políticas Públicas, Plano Diretor, Administração de Recursos, Gestão Logística, Filosofia da Educação, Existencialismo, Ética e Discurso, Filosofia da Ciência, Meteorologia, Poder, Verdade e Sociedade em Foucault, Filosofia Jurídica e autores como Heidegger, Bauman, Habermas, Foucault, Derrida, Deleuze, Sofistas, Nietzsche, Sartre, Hannah Arendt, Freud, Carlos Roberto Gonçalves e Giovanni Reale.