Em Salvador, Painéis de Carybé entram em processo de tombamento

Painéis do artista plástico argentino Carybé (1911-1997) que estão expostos em diferentes imóveis de Salvador podem virar patrimônio cultural do município. Por meio do Diário Oficial do Município, publicado na quinta-feira (7), o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, notificou os responsáveis legais dos imóveis onde estão expostas as obras que, a partir de agora, entram em regime de tombamento provisório até que o processo seja finalizado.

“Queremos, primeiro, chamar a atenção da cidade para a importância de ter obras de arte nas edificações. Além disso, tentar salvar o que resta”, destaca Fernando Guerreiro.

“Salvador viveu uma época áurea em que a maioria das edificações tinha uma obra de arte. Os grandes artistas agregavam valor a essas construções, mas com o passar do tempo isso caiu e muitas dessas obras foram destruídas”, completa, citando “uma farmácia que cortou um painel pela metade, uma que passou tinta branca na obra” e outros tipos “de reação de insensibilidade”. “Inclusive tem um painel do aeroporto que sumiu, ninguém consegue informação”, completa.

Ao todo, 16 painéis estão no processo de tombamento. Entre eles, estão “Fundação da Cidade do Salvador”, que está localizado no Foyer do Teatro Castro Alves; “As Três Raças”, na fachada da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho; “Os Pescadores”, que faz parte do Edifício Barão de Itapuã, em Itapuã; “As Mulheres e os Pássaros”, no Centro Empresarial Iguatemi, na Av. Tancredo Neves; “Orixás”, no Museu Afro-Brasileiro, no Pelourinho; e “Bahia”, no Edifício Guilhermina, localizado no Largo do Campo Grande.

Gentileza urbana

O pedido de tombamento das obras de Carybé partiu do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, por indicação do então conselheiro Nivaldo Andrade. “Entre a segunda metade da década de 1940 e a década de 1960, houve uma intensa produção de painéis e murais artísticos em Salvador, por meio de artistas como Carybé, Mário Cravo, Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Jenner Augusto e Maria Célia Amado, auxiliando na consolidação da arte moderna na Bahia”, destaca a diretora de patrimônio e humanidades da FGM, Milena Tavares.

“Essas obras são reconhecidas como ‘gentileza urbana’, mesmo quando localizadas em imóveis privados, e sua produção respondia à ideia da síntese das artes, presente no movimento moderno, que propôs a integração entre arte, arquitetura, paisagismo e urbanismo”, completa a diretora.

O critério da seleção, segundo a diretora, teve como referência o mapeamento de murais e painéis artísticos de Salvador, realizado em 2009 pela professora Neila Maciel, para a Funceb. A equipe técnica da FGM selecionou, inicialmente, as obras de Carybé para tombamento, “por esse artista ter atuado ativamente no período de 1950-1960, tendo a maior quantidade de painéis em edifícios da cidade, sendo observada, especialmente, a expressão temática, privilegiando elementos da identidade local, e a sua qualidade artística”, destaca Teixeira.

Lista completa das obras

“Tupinambá”, integrado ao Edifício Tupinambá, no Canela;
“As Mulheres e os Pássaros”, integrado ao Centro Empresarial Iguatemi;
“Catharina Paraguaçu”, integrado ao Edifício Catharina Paraguaçu, na Graça;
“Índios Guerreiros”, integrado ao Edifício Campo Grande, no campo Grande;
“Orixás”, integrado ao Museu Afro-Brasileiro, na Antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus;
“Fundação da Cidade do Salvador”, integrado ao Foyer do Teatro Castro Alves, no Campo Grande;
“Panorama de Salvador”, integrado ao Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Classe II, no Pero Vaz;
“As Três Raças”, integrado à fachada da Fundação Casa de Jorge Amado;
“A Colonização do Brasil”, integrado à fachada do Edifício Desembargador Bráulio Xavier, na rua Chile;
“Os Pescadores”, integrado ao Edifício Barão de Itapuã, na Barra;
“Quetzalcoatl”, integrado ao Edifício Cidade de Ilhéus, no Comércio;
“Progresso” e “Fundação de Salvador”, ambos integrados ao Edifício Cidade de Salvador, no Comércio;
“Espécies Marinhas”, integrado ao Edifício Labrás, no Comércio;
“A Colonização do Brasil”, integrado à Agência do Banco Bradesco, sito à Rua Chile;
“Bahia”, integrado ao Edifício Guilhermina, no Campo Grande.

*Informações do Correio

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