Ilheense conta que está adorando ser gay na nova novela: ‘As mulheres se aproximam mais de mim’

Entre a aridez do sertão pernambucano e o chão purpurinado do salão Glitter Gloss, no Tocantins, brilha o ilheense Fábio Lago. Em cartaz nos cinemas como o rude cangaceiro Orelha, do filme “Entre irmãs”, de Breno Silveira, o ator surgirá transformado e feminino na TV, a partir do próximo dia 23, quando estreia “O outro lado do paraíso”, nova novela das 21h da Globo.

— Gosto de passar por mudanças extremas, poder transitar entre o drama e o humor. Por um personagem, faço o que for. Até tirar um dente, se valer a pena — afirma Lago, que na época de “Caras & bocas” (2009) chegou ao auge das experimentações, divertindo o público com várias caracterizações, do cupido à baiana do acarajé, para que seu Fabiano seguisse a mulher sem ser descoberto.

Agora, com sobrancelhas delineadas, megahair de mechas louras, brincos nas duas orelhas, brilho labial, unhas esmaltadas e uma boa dose de feminilidade, o ator está pronto para dar vida a Nicácio — ou Nick, como prefere ser chamado —, o cabeleireiro-estrela da obra de Walcyr Carrasco.

— Antes de a novela ir ao ar, resolvi levar o jeitinho do personagem às ruas. Saio de brincos e unhas pintadas, solto o cabelão… As pessoas me olham torto, confusas. Acho que não acreditam que aquele ali é o Baiano de “Tropa de elite”. Na minha companhia, meus amigos machões ficam sem jeito e começam a se soltar também. Essa leveza do Nick irradia — conta Lago, aos risos: — Estou adorando esse estado gay! Você fala barbaridades para as pessoas e elas riem! As mulheres se aproximam muito mais de mim assim do que do Fábio normal. Elas elogiam meu cabelo, perguntam sobre o megahair… A empatia é maior, sabe? A delicadeza é um chamariz num mundo tão machista.

Divertido, fofoqueiro e meio brega, Nick tem como clientes as peruas da alta sociedade de Palmas. Assumidíssimo, parece não ter passado por conflitos internos com relação a sua homossexualidade, mas é vítima de violência moral e física.

— Ele apanha dos namorados e continua sonhando com um grande amor. Minha trama vai abordar o preconceito contra o nordestino homossexual — sublinha o ator.

Baiano de Ilhéus e filho de uma cabeleireira, Lago enxerga no seu novo papel muito de sua própria trajetória e da história de sua família.

— É o nordestino do interior que vai parar na capital em busca de melhores oportunidades. Eu queria ser piloto de avião, só que o teatro foi me levando para Salvador, São Paulo, Rio… E cheguei aqui na Globo! Com minha mãe foi parecido. Ela vendia Avon e outras coisinhas, de casa em casa, para sustentar os quatro filhos. Um dia, uma cliente perguntou se sabia cortar cabelo e ela arriscou, sem nunca ter feito. Deu tão certo que a fama correu boca a boca e ela abriu um salão lá em casa — relembra ele, entregando que as referências para construir Nicácio vão além de Dona Darcy, de 75 anos: — Carlinhos Beauty, um dos cabeleireiros top de Brasília, serviu de inspiração para a figurinista (Ellen Milet) fazer as roupas de Nick. Vi uma entrevista dele que foi fundamental para ratificar a gênese do personagem. Carlinhos disse que é tudo o que quiser ser: gay, bi, pan… É livre!

Informações do Jornal do Jornal EXTRA

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