Ivete e Bell recebem R$ 840 mil do governo para tocar sem cordas

Para desfilar sem cordas
no primeiro dia do Carnaval, no Campo Grande, os cantores Bell Marques e
Ivete Sangalo vão receber, juntos, cerca de R$ 840 mil do governo
baiano. O bahia.ba apurou que a maior fatia ficará com Ivete, que ganhará R$ 500 mil, enquanto Bell vai arrecadar os demais R$ 340 mil.
O governo havia informado que o investimento feito na festa este ano será próximo ao valor gasto em 2015, na faixa dos R$ 90 milhões. Na última semana, inclusive, o clima entre Estado e prefeitura ficou tenso,
após o governador Rui Costa avisar que, em função dos custos, o Estado
não poderia garantir efetivo policial para o Carnaval nos bairros
planejado pela prefeitura, que ampliou a festa este ano.
Rui deverá dar mais detalhes sobre a participação do governo no evento em coletiva na próxima semana.
Bahia.ba

Por que tudo custa mais caro no Brasil

É tanta muamba que o português dos vendedores de shopping da Flórida
está mais afiado do que nunca. Os brasileiros são os turistas que mais
compram nos EUA: US$ 4,8 mil por pessoa, à frente dos japoneses.

Nossos gastos no exterior em 2010 tinham passado de US$ 11 bilhões até
setembro, um recorde. Agências de turismo já oferecem pacotes sem
parques de diversão no roteiro, só com traslados para grandes shoppings e
outlets.

Estamos virando um país de contrabandistas. Natural. Veja o caso do
iPad. Aqui, nos EUA ou na Europa, ele é importado. Vem da China. Em
tese, deveria custar quase igual em todos os países, já que o frete
sempre dá mais ou menos a mesma coisa. Mas não. A versão básica custa R$
800 nos EUA. Aqui a previsão é que ele saia por R$ 1 800. No resto do
mundo desenvolvido é raro o iPad passar de R$ 1 000. E isso vale para
qualquer coisa. Numa viagem aos EUA dá para comprar um notebook que aqui
custa R$ 5 500 por R$ 2 300. Ou um videogame de R$ 500 que bate em R$ 2
mil nos supermercados daqui. E os carros, então? Um Corolla zero custa
R$ 28 mil. Reais. Aqui, sai por mais de R$ 60 mil. E ele é tão nacional
nos EUA quanto no Brasil. A Toyota fabrica o carro nos dois países.

Por que tanta diferença? Primeiro, os impostos. Quase metade do valor de
um carro (40%) vai para o governo na forma de tributos. Nos EUA são
20%. Na China também. Na Argentina, 24%. O padrão se repete com os
outros produtos. E haja tributo. Enquanto o padrão global é ter um
imposto específico para o consumo, aqui são 6 – IPI, ICMS, ISS, Cide,
IOF, Cofins. Ufa. Essa confusão abre alas para uma sandice que outros
países evitam: a cobrança de impostos em cascata. O ICMS, por exemplo,
incide sobre o Cofins e o PIS. Ou seja: você paga imposto sobre imposto
que já tinha sido pago lá atrás. Tudo fica mais caro. E quando você soma
isso ao fato de que não, não somos um país rico, o vexame é maior
ainda. Levando em conta o salário médio nas metrópoles e o preço das
coisas, um sujeito de Nova York precisa trabalhar 9 horas para comprar
um iPod Nano (R$ 256 lá). Nas maiores capitais do Brasil, um Nano vale 7
dias de trabalho do cidadão médio (R$ 549).

A bagunça tributária do Brasil não é novidade. A diferença é que os
efeitos dela ficam mais claros agora, já que existem mais produtos
globalizados (Corolla, iPad…) e o real valorizado aumenta o nosso
poder de compra lá fora (quando a nossa moeda não valia nada, antes de
1994, era como se vivêssemos em outra galáxia – não dava para fazer
comparações).

Mas sozinho o imposto não explica tudo. Outra razão importante para a
disparidade de preços é a busca por status. Mercado de luxo existe desde
o Egito antigo. Mas no nosso caso virou aberração. Tênis e roupas de
marcas populares lá fora são artigos finos nos shoppings daqui, já que a
mesma calça que custa R$ 150 lá fora sai por R$ 600 no Brasil. O Smart é
um carrinho de molecada na Europa, um popular. Aqui virou um Rolex
motorizado – um jeito de mostrar que você tem R$ 60 mil sobrando. O
irônico é que o preço alto vira uma razão para consumir a coisa. Às
vezes, a única razão. Como realmente estamos ficando mais ricos (a renda
per capita cresceu 20% acima da inflação nos últimos 10 anos), a
demanda por produtos de preços irreais continua forte. Os lucros que o
comércio tem com eles também. E as compras lá fora idem.

O resultado mais sombrio disso é o que os economistas chamam de doença
holandesa: o país enriquece vendendo matéria-prima e deixa de fabricar
itens sofisticados – importa tudo (ou vai passar o feriado em Miami e
volta carregado). Por isso mesmo o governo reclama da desvalorização
excessiva do dólar e do euro, que deixa tudo ainda mais barato lá fora.
Aí não há indústria que aguente.

Mas tem um outro lado aí. “É interessante ver que parte da indústria
importa bens intermediários, que são usados para fazer outros produtos. E
agora eles serão mais baratos. Então o câmbio apreciado pode ser bom”,
diz o economista Carlos Eduardo Gonçalves, da USP.

O governo também tem agido contra o mal do câmbio. Em agosto, cortou
várias taxas de máquinas industriais e zerou os impostos para a
fabricação de aviões. Outros 116 bens da indústria de autopeças que não
têm similar nacional tiveram seu imposto de importação praticamente
zerado. Já é um começo. Esperamos que, em breve, passar 9 horas no avião
para comprar um laptop possa deixar de fazer sentido. Porque é bizonho.

Superinteressante

Zika: EUA confirmam primeiro caso; Antes, a vítima passeou na Bahia

O primeiro caso de vírus Zika foi confirmado nesta terça-feira (12)
nos Estados Unidos, conforme informações das autoridades do Texas. O
paciente é um homem que mora no condado de Harris e que havia visitado a
capital baiana, recentemente, além de outros países da América Latina.
Segundo um dos diretores do Texas Children’s Hospital, Peter Hote, o
estado do Texas tem condições ideais para o desenvolvimento do mosquito
transmissor do vírus, o Aedes aegypti. Ele informou ao site Medscape que
há uma grande preocupação.
“Há uma tempestade perfeita que pode proliferar o vírus no Texas.
Temos duas espécies de mosquito que pode transmiti-la [a doença] e altos
níveis de pobreza que levam a viver em ambientes não sadios, perto de
água parada”, afirmou.
As autoridades dos EUA têm alertado os cidadãos a tomarem cuidados
adicionais com a doença, principalmente no Brasil, como uso de
repelentes. Às grávidas, elas pedem que adiem as viagens para a América
Latina.
Agência Ansa

Sábado acontecerá a tradicional Lavagem das Escadarias da Catedral de São Sebastião!

A tradicional festa da Lavagem das Escadarias da Catedral de São
Sebastião, localizada na Praça Dom Eduardo, em Ilhéus, está programada
para as 10 horas do próximo sábado, 16, com concentração marcada na
Avenida 2 de Julho, em frente ao Sindicato dos Estivadores. O evento é
uma realização do Sindicado, com o apoio da Secretaria Municipal de
Turismo (Setur).
De acordo com a comissão organizadora, o cortejo formado por baianas
representando diversos terreiros de candomblé, blocos afro e grupos de
capoeira de Ilhéus, será acompanhado por populares que vão percorrer as
principais ruas do centro da cidade. A caravana sairá da frente da sede
do Sindicato dos Estivadores, em seguida adentrará na Avenida Soares
Lopes, seguindo em direção à Catedral de São Sebastião, onde as baianas
realizarão a lavagem das escadarias, encerrando-se o evento com o grupo
de pagode Samba.
ORIGEM – A festa em homenagem ao santo padroeiro de Ilhéus é realizada
desde os meados da primeira década do século XX, promovida pelo
Sindicato dos Estivadores do Porto local. Entretanto, diferente de hoje
em dia, o evento tinha o compromisso com a fé e devoção, tendo em sua
programação a Missa Solene, alvorada e procissão, encerrando-se com a
distribuição de pratos de bacalhau em praça pública. Com o passar do
tempo, começou passou a contar com manifestações profanas.

Sobe ICMS na Bahia

A inflação não será a única vilã do bolso dos contribuintes em 2016.
Com perdas na arrecadação, o governo federal e a maior parte dos estados
e capitais elevaram seus principais tributos, de acordo com
levantamento realizado pelo G1.
A pesquisa considerou apenas as elevações de alíquotas – o percentual
usado para calcular quanto o contribuinte vai pagar de imposto sobre o
valor, em reais, de determinado produto, serviço ou bem.
Ficaram de fora altas que refletem apenas os efeitos da inflação sobre
os preços de produtos ou serviços – uma tributação de 10% sobre um
produto, por exemplo, que custava R$ 100 há um ano, levaria então R$ 10
aos cofres do governo. Esse mesmo produto, custando R$ 110, pagaria
agora R$ 11 em impostos, sem alteração na alíquota.
No caso de impostos sobre bens, como IPVA
(incidente sobre veículos) e IPTU (sobre os imóveis), em muitos casos
não houve alteração nas alíquotas, mas, com a correção do valor desses
bens (pela inflação ou por desvalorização), o valor final dos impostos
sofreu variações.
Principais tributos
A alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por exemplo, aumentou em 20 estados, além do Distrito Federal.
O tributo, estadual, é um dos que mais pesam e incide sobre produtos e
serviços considerados essenciais, como telefonia e telecomunicações, e
também os supérfluos, como cosméticos, bebidas alcoólicas e cigarro.
Outra cobrança que ficou mais cara foi o Imposto sobre Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA). Ele subiu em 12 estados, mais a capital
federal.
Já o imposto sobre herança e doações – conhecido em vários estados como ITCMD – aumentou em 10 estados e no Distrito Federal.
Grande parte dos municípios não elevou a cobrança do IPTU (Imposto
Predial e Territorial Urbano), que incide sobre bens como imóveis e
terrenos, mas reajustou a alíquota pelos índices de inflação de 2015,
que ficaram em torno de 10%.
Enquanto isso, o governo federal conseguiu elevar o IPI (Imposto sobre
Produtos Industrializados) de bebidas e eletrônicos e acabar com a
isenção do Imposto de Renda em remessas ao exterior de até R$ 20 mil
este ano.

Tenta ainda recriar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações
Financeiras, que ficou conhecido como “imposto do cheque”) e aumentar
as alíquotas do Imposto de Renda e dos tributos sobre produtos
industrializados.
“Houve um aumento generalizado”, avalia o presidente-executivo do IBPT
(Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Eloi Olenike. De
todos os impostos, o ICMS é um dos que terão maior impacto no bolso do
brasileiro, afirma.
“O ICMS movimenta valores muito altos e é cobrado sobre tudo o que se
consome e não tem como escapar. Quem paga mais é o consumidor final, e o
imposto tem um efeito cascata que tributa toda a cadeia produtiva”,
explica Olenike.
Para ele, todos esses aumentos serão repassados de forma indireta para o
consumidor. “Vai ter impacto na inflação. As empresas vão repassar os
custos nos preços de seus produtos e serviços”, diz o tributarista.
O presidente-executivo do IBPT explica que a lei obriga os estados a
priorizar o aumento de impostos sobre produtos e serviços considerados
mais supérfluos – como itens de luxo ou os prejudiciais à saúde. Mas em
estados como Minas Gerais, houve aumento sobre a energia elétrica e serviços de telecomunicações, considerados essenciais.
G1

9º Encontro Grapiúna de Compositores e Compositoras

Iniciado em julho deste ano, o projeto segue com shows
mensais – sempre às sextas-feiras, às 20h, na Tenda TPI – colocando
Ilhéus na rota dos encontros desse modelo, que são sucesso nas capitais
do país. O objetivo é dar visibilidade às obras autorais dos artistas
da, fomentando a criação musical e divulgando a produção autoral do/no
Sul da Bahia. Esta edição continua com o mesmo formato das anteriores:
um palco, quatro artistas grapiúnas, um percussionista, além músicos
convidados que contribuem com o brilho das apresentações,
tocando ou cantando. Já participaram do Encontro nomes como Jef
Rodrigues, Edu Neto, Jaque Barreto, Cabeça Isidoro, Laís Marques, Marcus
Marinho, Brena Gonçalves, Ismera Rock, Eloah Monteiro, Eddy Oliveira,
Djalma Assis, Cláudio Vieira, Ize Duque, Shailla, Dona Val, Aline
Marianne, Fabiano Carillo, Herval Lemos, Sérgio Di Ramos, Danilo
Nascimento, Cris Passos, Sérgio Nogueira, Cris e Marcelo, Chico Dias,
Glendha, Mãe Ilza Mukalê, Nado Costa, Victor Patrício, Luciano
Cerqueira, Cijay, Rilson Dantas e Ricardo Maciel. Para o compositor e
idealizador do projeto, Cabeça Isidoro, “a nossa região é muito rica
cultural e artisticamente, não é só Jorge Amado que cria por aqui. Temos
que abrir os olhos para outros Jorges, tão brilhantes e tão filhos
daqui quanto o Amado”.

Para mais informações, acesse a fanpage do projeto: facebook.com/EncontroGrapiunadeCompositoresECompositoras

Serviço: 9º Encontro Grapiúna de Compositores e Compositoras
Onde: Tenda Teatro Popular de Ilhéus (Tenda TPI), Av. Soares Lopes, Centro, Ilhéus – BA.
Quando: 18 de dezembro, às 20h.
Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia ou antecipado – já à venda)
podem ser adquiridos Livraria Papirus, na Tenda TPI e com os
compositores convidados.
Apoio: Loja Wense; Tenda Teatro Popular de
Ilhéus; O Criadouro Comunicação Visual; Gil Lucas Sonorização; Hospital
de Olhos Elclin, Jackarts Comunicação Visual, Casa do Som,

Azul foi a companhia aérea mais pontual do mundo em 2015

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras foi a companhia aérea mais pontual
do mundo em 2015. Com índice de 91,03% de voos cumpridos sem atrasos ao
longo do ano passado, a empresa chegou ao topo do ranking global na
categoria low-cost. Os dados são da Official Airline Guide (OAG),
principal instituição independente para monitoramento de pontualidade
do mundo. O número alcançado pela Azul considera decolagens e pousos
dentro de até 15 minutos do horário previsto.
 
Ainda, em uma relação que apresenta todas as companhias aéreas do
mundo, independentemente de segmento, a Azul aparece como a terceira
melhor colocada em pontualidade.
 
“O resultado alcançado em 2015 coloca ainda mais em evidência nossos
valores, com um trabalho pautado pela consideração e respeito com nossos
Clientes, e, acima de tudo, pela segurança de nossas operações. Esta
conquista é fruto de investimentos importantes em processos e pessoas,
que realizam diariamente um trabalho impecável, permitindo que todos os
Clientes possam estar sempre lá em cima dentro do horário previsto.
Nosso muito obrigado a todos que voam conosco e a cada um dos
colaboradores que permitem que nossas operações sejam sempre pontuais”,
afirma Antonoaldo Neves, presidente da Azul.

 
As ações da companhia envolvem readequações de malha e novos processos.
Na sede da companhia, foi inaugurado o Centro de Apoio aos Aeroportos,
assim como houve a implementação de um novo sistema de comunicação via tablets nos aeroportos onde a Azul opera, que organiza as informações necessárias às equipes.
 
A OAG tem acesso a estatísticas de 900 companhias aéreas em mais de 400 aeroportos e rastreia diariamente 110 mil voos. O estudo completo está disponível para download aqui.
AZUL

Bahia não disputa locais que possam abrigar futuros sítios de novas usinas nucleares no país

A Eletronuclear informou hoje (11) que está
procurando locais que possam abrigar futuros sítios de novas usinas
nucleares no país. Técnicos da estatal já estiveram em Minas Gerais,
Pernambuco e Alagoas, e, nesta semana, irão a Sergipe.
Potenciais fornecedores de equipamentos para as
usinas nucleares têm sido convidados para essas viagens de
reconhecimentos de áreas candidatas.
As empresas Westinghouse e Atmea acompanharam as
visitas em Minas Gerais e Pernambuco, e técnicos da estatal chinesa
Chinese National Nuclear Corporation (CNNC) farão parte da comitiva que
irá a Sergipe.
Atualmente, o Brasil conta com duas usinas nucleares
em funcionamento: Angra 1, com 640 megawatts (MW) de potência, e Angra
2, com 1.350 MW. Em 2014, a energia nuclear respondeu por 2,87% da
geração do Sistema Interligado Nacional.
No ano passado, o ministro de Minas e Energia,
Eduardo Braga, disse que 21 pontos estratégicos em todas as regiões
brasileiras estavam em estudo para que sejam instaladas mais quatro
usinas nucleares no país.
TNH

De cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos às construtoras em 2015

Se o setor imobiliário
tivesse de escolher uma palavra para se lembrar de 2015, ela certamente
seria “distrato” – jargão usado pelas empresas, e agora também conhecido
dos consumidores, para devolução de imóveis comprados na planta. Esse
foi o pesadelo de incorporadoras e proprietários de imóveis novos no ano
passado, quando o setor registrou recordes históricos no volume de
devoluções.
O levantamento mais recente da agência de classificação de riscos
Fitch, com nove companhias, mostra que, de cada 100 imóveis vendidos, 41
foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015. Isso significa quase R$
5 bilhões de volta na prateleira de venda das grandes empresas.
“Historicamente, o porcentual de distratos girava em torno de 10%, um
patamar saudável para a indústria”, diz Meyer Nigri, fundador da Tecnisa
e vice-presidente da Abrainc, associação que reúne as 18 maiores
companhias do setor. Os distratos sempre existiram, mas eram exceção,
pois o comprador que decidia se desfazer de uma unidade até a entrega
das chaves em geral conseguia negociá-lo com outro interessado por um
valor maior do que tinha desembolsado até ali.
Agora, vender “por fora” significa perder dinheiro, já que o preço do
imóvel está em queda e as incorporadoras estão cheias de unidades para
desovar. “Antes, o consumidor comprava um imóvel por R$ 100 mil na
planta, vendia por R$ 150 mil e embolsava a diferença”, diz um executivo
de uma grande construtora. “Agora, compra por R$ 100 mil, mas descobre,
na entrega das chaves, que a incorporadora está vendendo por R$ 80 mil.
É difícil sustentar o mercado assim.” Essa é apenas uma das faces do
problema. A outra, que também se agravou com a deterioração econômica, é
a restrição ao crédito. Conseguir um financiamento no banco está cada
vez mais difícil.

No mercado imobiliário, esse é um momento crucial, porque a venda só se
concretiza na entrega das chaves: é quando o cliente da incorporadora
passa a ser cliente do banco, ao assumir um financiamento, e a empresa
recebe o valor integral do imóvel. A alta da taxa de desemprego, para
quase 8,5% no ano passado, atravancou esse processo. Quem perdeu o
emprego ou viu sua renda cair entre a compra do imóvel e a entrega das
chaves tem grande chances de ter o financiamento negado pelo banco.
Antes que isso acontecesse, muita gente se antecipou.
Foi o caso do aposentado Flávio Atorre de Mello, de 63 anos. Quatro
meses depois de comprar um apartamento na planta, em novembro de 2012,
ele foi demitido da emissora de TV onde trabalhava como gerente de
operações. De lá para cá, a Selic, taxa básica de juros da economia,
passou de 7,25% para 14,25%.
“Quando fechei o negócio, minha ideia era pagar o máximo possível até
as chaves e depois quitar o restante com meu apartamento antigo”, conta.
“Mas deu tudo errado: o valor que faltaria pagar na entrega, em julho
deste ano, seria de R$ 700 mil, bem mais do que vale meu apartamento,
que não se valorizou e custa hoje R$ 500 mil.” Sabendo que o
financiamento seria inevitável e que sua renda não passaria pelo crivo
do banco, Mello decidiu, em julho do ano passado, devolver o imóvel à
incorporadora. Foi lhe apresentaram o jargão “distrato” e os transtornos
que estão por trás dele.
Descontadas as taxas de corretagem, comercialização e despesas
administrativas, a empresa propôs devolver apenas R$ 40 mil dos R$ 200
mil que Mello pagou nos últimos três anos.
O caso foi parar na Justiça. Hoje, Mello vende peças de motos pela
internet para conseguir uma renda extra, e já convenceu a mulher de que a
mudança de apartamento não virá tão cedo. “Difícil é passar todos os
dias na frente do empreendimento, que fica a 500 metros de onde moro
hoje, e lembrar que nada do que sonhamos vai se concretizar.”
Disputa
Casos como esse se multiplicaram no escritório do advogado Marcelo
Tapai, que se especializou no segmento imobiliário. No ano passado, das
725 ações movidas por ele, 73% eram referentes a distratos. Em 2014, o
porcentual foi de 43%. O embate entre clientes e incorporadoras está
sendo levado à esfera judicial porque não há uma regulamentação
específica sobre a devolução de imóveis no Brasil.
De um lado, as empresas se valem do que diz a Lei de Incorporação: “O
contrato de compra e venda de uma unidade é irrevogável e irretratável”.
Do outro, quem defende o direito ao distrato recorre a uma regra geral
do Código de Defesa do Consumidor, que trata como abusivas as cláusulas
que colocam o cliente em desvantagem exagerada. “Essa é sem dúvida a
hipótese em questão”, diz o Idec, em nota. “Já que o fornecedor, além de
ficar com o imóvel, ainda terá em mãos todo o valor pago pelo
consumidor, essa situação caracteriza-se um verdadeiro enriquecimento
sem causa, proibido pela legislação.
“As decisões, em geral, favorecem o consumidor. A Justiça tem concedido
o direito de restituição entre 70% a 90% do que foi pago, com correção
monetária. A retenção de 10% a 30% do valor pela companhia é para
compensar despesas como publicidade, corretagem e elaboração de
contratos. “Ninguém compra um imóvel pensando em devolver”, diz Tapai.
“Quem busca essa opção ou está desesperado ou se deu conta de que fez um
péssimo negócio.”
As incorporadoras estão em pânico com isso. Principalmente porque as
sucessivas perdas nos tribunais coincidem com uma das crises mais graves
do setor. Segundo Meyer Nigri, a Tecnisa terminou o ano com uma média
de dez devoluções por dia útil. “Chegamos ao ponto de distratar o mesmo
imóvel nove vezes, o que é uma aberração.” A empresa teve de destacar
uma equipe só para cuidar desses casos. Ainda assim, o número de
distratos aumentou 46% no terceiro trimestre do ano passado, na
comparação com 2014.
As desistências fizeram as vendas líquidas caírem de R$ 306 milhões
para R$ 135 milhões no período. Na Rossi, o tema é tão sensível que o
time criado para combater os distratos foi batizado de Swat, como a
divisão de elite da polícia americana. Em 2015, até setembro, a
incorporadora, que é uma das mais endividadas do setor, conseguiu
reduzir os distratos para R$ 775 milhões, de R$ 990 milhões, em 2014.
Assim como as concorrentes, a Rossi tem se desdobrado para evitar que
as intenções de distrato se concretizem. Entre as alternativas, as
empresas estão oferecendo financiamento direto, troca por um imóvel mais
barato e descontos. “Antes, o tema era tratado como exceção. Criamos
uma área específica para que não vire regra”, diz Fernando de Mattos
Cunha, diretor financeiro da Rossi.
Em paralelo às soluções caseiras, o mercado imobiliário começou a se
articular para definir regras que não afetem tão fortemente suas
finanças. “Estamos em contato com o Ministério Público e com órgãos de
defesa do consumidor para encontrar uma solução”, diz Nigri. O argumento
dos empresários é de que, ao devolver uma unidade, o consumidor coloca
em risco a conclusão do empreendimento, podendo prejudicar outros
compradores. “Não é só a visão do consumidor que está em jogo, mas o
contrato de um bem que não está dissociado do resto e compromete outras
famílias”, defende Eduardo Fischer, diretor da MRV.
Com as empresas segurando lançamentos desde o ano passado, a tendência é
que o número de entregas e, consequentemente, de distratos, caia nos
próximos anos. Em 2016, no entanto, ele vai persistir. O relatório da
Fitch estima que, se 35% das unidades vendidas forem canceladas, os
distratos chegariam a R$ 6 bilhões entre as principais empresas do
setor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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