Por que os servidores públicos se sentem sempre injustiçados

É claro que a questão salarial – a baixa remuneração – é decisiva no julgamento dos próprios servidores.

Mas não é apenas isso, ressalte-se.

Já faz muito tempo que a condição de funcionário público deixou de ser economicamente e socialmente atraente.

É aí que se acentua a sensação de injustiça para aqueles que estão no dia a dia das repartições públicas, onde as condições de trabalho – para quem quer de fato trabalhar – são precárias e revoltantes.

Junte-se a isso o fato de que os chamados cargos comissionados são ocupados, muitas vezes, por gente que não trabalha e ainda se beneficia de uma melhor remuneração.

É comum o entorno de uma autoridade pública – em qualquer nível – ser formado por seus amigos de ‘copo e de cruz’ ou por bajuladores profissionais, parasitas do erário, que se alimentam das sobras do poder.

O Estado brasileiro, patrimonialista, que carrega a herança do colonizador português, afeito a uma burocracia sem causa e sem efeito – positivo – para a sociedade, precisa urgentemente se reinventar.

A valorização dos que atuam na ponta do serviço público, com direito a uma carreira e a salários decentes, só há de acontecer com a transformação que pede passagem, mas que não consegue se estabelecer.

Ganhar mal, com exceção das carreiras jurídicas – inclusive no Executivo – e na arrecadação de tributos, são a marca e a sina dos servidores públicos, nos três níveis.

O ressentimento e a consequente sensação de injustiça ainda haverão de perdurar por algumas décadas. A deterioração da remuneração dos trabalhadores do serviço público não é uma obra recente e vem sendo construída há décadas – desconstruí-la há, também, de exigir tempo e determinação política, inclusive dos que exercem essa atividade.

Os responsáveis por ela – a deterioração – são aqueles que incharam a máquina pública sob os aplausos de uma sociedade que não enxergava que esta prática haveria de comprometer o futuro, inclusive dos próprios servidores beneficiados.

Acontece que este futuro chegou e há de demorar a virar passado.

A injustiça é real, vai além da sensação dos servidores. Mas o pior é não enxergar a porta de saída dessa tragédia cotidiana.

Reflexão de Ricardo Mota do TNH

Franklin Deluzio
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Franklin Deluzio

Autor em ilheus.net
Franklin Deluzio é graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz, Especializando em Educação, Especializando em Gestão Pública Municipal (UESC) e Servidor Municipal de Ilhéus/BA.
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